Depois de bastante tempo sem escrever
por aqui, Deus tem relembrado algo em meu coração que sempre tenho
compartilhado com alguns amigos. Penso que seja uma boa ideia compartilhar com
vocês também.
Em nossos dias, é aparentemente comum
nos depararmos com certas responsabilidades que, ao serem satisfeitas, nos dão
a sensação de que realmente cumprimos o dever que precisava ser cumprido. Este
é um senso normal de responsabilidade, o qual é, no mínimo, muito importante.
Entretanto, quando olhamos para a
Bíblia, entendemos que nem tudo é do jeito que sentimos ou pensamos. E
infelizmente, este mesmo senso de responsabilidade conduzido e interpretado de
maneira errada pode complicar um pouco a nossa vida cristã. Vamos já entender!
Por muitas vezes, somos bastante
zelosos no que diz respeito à obra de Deus e isto não é necessariamente um
problema. Em muitos momentos, nos focamos em realizar algo da melhor maneira
possível, ou seja, não queremos errar (e isso é ótimo), mas sim, cumprir certas
responsabilidades diante de Deus por alguns motivos. Contudo, um grande
problema pode ser iniciado a partir daí se o nosso coração não estiver no
centro da vontade de Deus.
Infelizmente, interpretamos de
maneira muito errada certas situações quando consideramos, para com Deus, o
mesmo senso de responsabilidade que utilizamos para tantas outras coisas;
acreditamos, por muitas vezes, que realmente precisamos ter todo o zelo, fazer
o melhor e ser perfeitos para, deste modo, recebermos a aprovação de Deus. Além
disso, outro problema nisso tudo é o fato de que, quando não alcançamos êxito
naquilo que fizemos, sentimo-nos reprovados diante de Deus, indignos,
insatisfeitos, fracassados e arrasados.
Começamos
a acreditar que Deus não nos aceita por conta do nosso fracasso.
Lamentavelmente, isto pode ter uma consequência ainda maior. (Entenda que não
estou dizendo que você não deve fazer algo com excelência para Deus. Porém, o
fato é que isso não te fará mais aceitável e atraente para Ele – esta não pode
e não deve, portanto, ser a finalidade de suas ações).
Entendo
que, por muitas vezes, procuramos desempenhar nossas atividades com o maior
zelo possível com o intuito de agradar a Deus porque Ele é santo e merece o
melhor. Porém, se essa busca for conduzida de maneira errada, poderemos nos
encontrar diante de algo que, infelizmente, ainda é um grande problema em nosso
meio: sacrifícios e grandes
obras em busca da satisfação e aceitação. Te explico melhor!
Quando
pensamos desta forma, estamos procedendo como quem procura por recompensas ou,
ainda, como alguém que quer se tornar “mais apresentável” diante de Deus. Em
diversas vezes, agimos com esse tipo de “propósito” quando exercemos algum
cargo na igreja, participamos de vários ministérios, realizamos missões e
evangelismo, fazemos jejum e caminhadas de oração, pregamos, discipulamos,
dançamos, gritamos, corremos, trabalhamos em várias coisas na igreja, passamos
madrugadas acordados, subimos no monte... E no fim, por causa deste nosso
“senso de responsabilidade”, acreditamos que, ao cumprir todas estas coisas, receberemos
uma maior aprovação diante de Deus e que Ele se achegará a nós por causa de
tantas “obras excelentes” realizadas. Na verdade, nada disso nos faz aceitáveis
diante de Deus. A única “obra” que proporciona isso decorre do que o próprio
Jesus Cristo fez por nós: a redenção pelo Seu sangue. É somente por meio de Sua
graça que podemos ter essa aceitação, afinal, o que realmente merecemos por nós
mesmos é a morte, e morte eterna!
Não
seremos melhores enquanto estivermos preocupados primeiramente em apresentar
grandes coisas (ou grandes ofertas e sacrifícios) diante de Deus. Devemos ter
sempre em mente que o que agrada a Deus é, na verdade, o fruto que provém de um
coração rendido a Ele. Veja o que diz a palavra:
“Com
que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei diante do Deus altíssimo?
Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano?
Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de
azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre
pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que
o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e
andes humildemente com o teu Deus?” Miquéias 6:6-8
O excesso
de atividades relacionadas às coisas de Deus nos dá, em diversos momentos, a
sensação de realização, satisfação e dever cumprido com Deus. Precisamos
entender, contudo, que não temos condições de fazer o que o próprio Deus já
cumpriu por meio de Cristo. Infelizmente, por falta de entendimento, acabamos
nos envolvendo em um verdadeiro “ativismo”: começamos a andar de um lado para o
outro, nos cansamos e, ao final de tudo, encontramo-nos saturados, esgotados e
insatisfeitos. Passamos a viver nesta constante busca pela aceitação de Deus e
da igreja através das nossas obras e ações e acabamos nos esquecendo do
principal, da melhor parte:
“Marta,
porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor,
não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E
respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com
muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual
não lhe será tirada.” Lucas
10:40-42
Observando
o trecho acima, podemos perceber que não era errado o fato de Marta querer
servir, afinal, isso é bíblico. Em muitas situações, contudo, iremos nos
deparar com atividades e responsabilidades que “são de Deus”, que “são
bíblicas”, mas que não devem ser assumidas apenas pelo fato de “serem boas”. A
verdade é que, em determinados momentos, Deus quer apenas que aquietemos nossos
corações, respiremos fundo e nos coloquemos atentos à Sua voz; quer que nos
separemos para orar e ler sua palavra, contemplá-lo e descansar n’Ele. E até
mesmo, quem sabe, ir pescar, fotografar um pouco ou conversar por horas com os
amigos.
Toda boa
obra e tudo o que fizermos deve ser fruto da salvação de Cristo em nossas
vidas. De maneira nenhuma O recompensaremos por obras quaisquer que venhamos a
fazer. Porém, isso não invalida o fato de termos que servir a Deus sempre com
excelência; o que não podemos é acreditar que isso nos tornará melhores, mais
santos e aceitáveis diante d’Ele e esperar que Deus nos diga um “obrigado” por
isso.
"Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei:
Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer." Lucas 17:10
Deus nos
ama independentemente de nossas obras, ou seja, o seu amor não depende de
esforço algum da nossa parte. Se fosse considerar o que fazemos, Ele nos
odiaria eternamente. Entretanto, Ele nos ama simplesmente porque decidiu nos
amar! E este, portanto, é o principal motivo pelo qual você deve se sentir
amado por Deus e pelo qual devemos ser eternamente apaixonados por Ele!
Coisas
que não estou dizendo:
·
Que você não deve procurar fazer com zelo as
coisas do Senhor;
·
Que você não pode ou não deve ficar
satisfeito com seu trabalho;
·
Que Deus não se importa com o que você faz ou
deixa de fazer;
·
Que pra Deus tanto faz você fazer bem feito
ou mal feito;
·
Que você não deve realizar boas obras;
·
Que seu trabalho é em vão para o Senhor;
·
Que você não deve fazer algum esforço ou
sacrifício na obra de Deus.
Texto: Willy Menezes
Revisão ortográfica: Pablo Aires