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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Ter razão nem sempre resolve problemas


Já viajei muito com meu pai. E, em uma das viagens, na minha adolescência, lembro de ter me chamado atenção os caminhões que vinham na outra mão. Eu percebi que, algumas vezes, meu pai tinha que sair da mão que estávamos seguindo, e desviar para o acostamento. O objetivo dele era evitar algum tipo de acidente, pois os caminhões repetidamente invadiam a nossa mão enquanto ultrapassavam. Não lembro exatamente suas palavras, mas o que ele me ensinou com aquilo foi que permanecer na própria mão, apenas porque é nosso direito, não iria fazer evitar algum acidente, pelo contrário!

Por isso, querer ter razão nem sempre é a melhor opção. Em proporções diferentes, as vezes é necessário desviar para o acostamento a fim de manter a paz com outra pessoa. E isso me ressurgiu muito intensamente no casamento. Foi nesse contexto que ouvi a frase de um amigo: “você quer ser feliz ou ter razão? ”. Em certo sentido, a frase carrega uma boa intenção, embora uma opção não invalide, necessariamente, a outra. Mas a ideia é bem clara que, em muitas situações, não adianta discutir e ter razão quando, por outro lado, deixa triste o coração de quem se ama e, por consequência, o próprio.

Eu diria que vencer um argumento é até simples. Basta um pouco de estudo de retórica e lógica. O difícil é vencer o orgulho dentro de nós. Querer ter razão nem sempre é um sinal de ter a verdade, as vezes é muito mais indicativo de um coração orgulhoso. Quando vencemos um argumento simplesmente pelo desejo de estarmos certos, silenciamos e massacramos um coração. Por outro lado, quando há amor pela pessoa, os esforços não são concentrados em provar que se tem a razão, mas em quanto se quer o bem daquela pessoa. Quando o amor vence o ego, a última coisa que se deseja falar é: eu tinha razão ou eu avisei. Isso apenas mostra que ter razão não é tudo.

Por fim, se tratando de conflitos no relacionamento, sei que inúmeras vezes a pessoa que amamos precisa de disciplina. Sim, precisa que alguém lhe abra os olhos e lhe fale as verdades necessárias. Precisa ouvir com firmeza onde está errando e o que precisa mudar. Para estas ocasiões, permita-me propor: (1) organize de forma clara e lógica os pontos que você precisa falar. (2) não fale sem antes orar pela outra pessoa. (3) apresente caminhos melhores, ou seja, soluções práticas. (4) seja o maior encorajador dela. E caso ela não seja convencida, ore continuamente. Em outras ocasiões, principalmente em meio a discussões exasperada, talvez a melhor opção seja calar. É possível que você tenha uma bela experiência com Deus por meio da perseverança em oração. Muitas mudanças são frutos de um longo período de oração.

Willy Menezes

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Considerações urgentes sobre o papel do homem no casamento



Nos últimos meses eu tenho sido incomodado com algumas questões relacionadas ao papel do homem no lar. Esse tema ainda é um grande desafio para mim e tenho aprendido a duras penas – minha esposa que o diga! Por outro lado, considero algumas questões inaceitáveis. E até brinco “esse tipo de homem deveria ser preso! ”, é claro que essa não é uma solução razoável, muito menos bíblica. Mas a coloquei apenas para você entender onde vai minha indignação. 

A Bíblia diz que os maridos devem amar a sua mulher como Cristo amou a igreja e se entregou por ela (Ef. 5.25). A partir desse imperativo de Paulo, levando em conta o exemplo de Cristo, gostaria de destacar algumas implicações e responsabilidades do homem no lar.

            Primeiramente, Cristo amou a igreja sob um pacto feito com ela, chamado de nova aliança, portanto, o amor do marido para com a mulher deve ser pactual. O que significa isso? Olhemos para o exemplo de Cristo. O relacionamento entre Cristo e a Igreja não considera circunstâncias nem impõe condições, ele está fundamentado no pacto feito por Cristo. Da mesma forma, o amor entre o marido e a mulher deve ser sob o pacto, ou seja, a aliança que firmaram e que não dependente de circunstâncias, emoções ou condições. E Deus é testemunha desta aliança.

            Em segundo lugar, o marido deve dar sua vida pela mulher. Isso não requer uma ação somente em uma situação crítica de vida ou morte. É evidente que neste momento também. Mas o “se entregar por ela” reflete também uma doação constante pela esposa. Em termos práticos, o marido deve considerar a esposa em primeiro lugar antes de cuidar do que é propriamente seu. Ou seja, antes de nos preocupar com o futebol ou qualquer atividade, devemos nos preocupar se a esposa está satisfeita ou quais suas necessidades para aquele momento ou período. Se qualquer atividade vem em primeiro lugar, isto é, antes da esposa, não estamos a amando como Cristo amou a Igreja, e isso é pecado. Esse princípio deve nortear nossas escolhas e projetos.

            Em terceiro lugar, Cristo amou a Igreja com alimento e cuidado (v. 29). Indo direto na questão prática, isso indica a responsabilidade do marido de levar a esposa à maturidade e protege-la contra ataques físicos e espirituais. O marido deve pastorear sua esposa e levá-la a crescer. A provisão física e espiritual é uma ideia clara aqui!

            Todas as vezes que não priorizamos nossas esposas, ou que dedicamos mais atenção e tempo a qualquer coisa do que a ela, cometemos pecado. Todas as vezes que desejamos satisfazer os nossos próprios desejos e não nos esforçamos para satisfazer os das nossas esposas, cometemos pecado. [Eu acho que não preciso dizer que não estou me referindo a “desejo” pecaminoso, mas resolvi me certificar] A saúde do relacionamento é responsabilidade do marido. É claro que a mulher tem culpas, pecados, e sua parcela, mas isso não exime a responsabilidade do homem. Quando a Bíblia diz que o homem é o cabeça, ela não diz que ele deve se esforçar para ser, pois o “ser cabeça” é um fato. A questão é que tipo de cabeça o marido é. O que foge das responsabilidades e põe a culpa na mulher, semelhante a Adão? Ou o que assume a responsabilidade a ponto de dar a vida pela esposa semelhante a Cristo? Eu compreendo muito bem o marido que se esforça, mas muitas vezes não consegue, mas jamais poderia compreender aquele que não tenta.

            Se você é esposa e está lendo esse texto imaginando algo como “meu marido deveria ler isso”, vou lhe pedir que não marque ou encaminhe a ele como indireta, pois isso certamente ferirá a honra do seu marido. Mas com calma, ore, arrependa-se dos pecados que cometeu, livre-se de qualquer amargura, sente com seu marido e sugira a leitura do texto.

Willy Menezes

sábado, 7 de outubro de 2017

“É assim que Deus disse?” A serpente no século XXI.


“É assim que Deus disse?” a serpente no século XXI.

Com certeza você conhece a frase em Gênesis 3.1, quando a serpente no diálogo com Eva questiona: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?”, esse foi parte do diálogo que precedeu a queda da humanidade.

O homem já havia recebido a ordem clara de Deus: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn 2.16-17).

Quero compartilhar 3 cuidados para que possamos nos atentar, a partir da palavra de Deus, com os ataques e argumentos no século XXI, para que não nos afastemos de Deus e da sua verdade.

1º cuidado.
A primeira ação da serpente foi lançar dúvida sobre a palavra que Deus havia dito. Deste modo, instigou dúvida no coração de Eva em relação ao que ela ouviu do Senhor: é assim que Deus disse?. Adão e Eva eram conhecedores da verdade, mas isso não foi o suficiente para não serem enganados. Satanás minou a dúvida nos corações deles. E não é assim nos dias atuais?

Ser conhecedor da verdade nem sempre é o suficiente para que não caiamos nas armadilhas do mundo sem Deus. Precisamos ter convicção de tal verdade e não darmos ouvidos ao que vem de encontro contrário à palavra de Deus. Por isso, cuidado com vãs filosofias, discussões e ideias que são contrários à verdade de Deus. Preserve seu coração sempre naquilo que é verdade de Deus e persevere sempre nisso.

Os esforços que o mundo empenha em colocar em cheque a palavra de Deus é violento e diário. Podemos notar isso por meio da televisão, internet, e outras mídias. Isso infelizmente tem alcançado as escolas e universidades, que se tornaram ambientes de uma luta ainda maior para que a verdade de Deus seja colocada de lado. O mais triste é ver que muitos são levados e vencidos pelo esforços desse mundo.

Não se engane achando que essa é uma advertência para os que não conhecem a Deus. Esse texto foi escrito para alertar os que são parte da família da fé, aqueles que, assim como Adão e Eva, tinham plena consciência do que Deus ordenou.

2º cuidado
O método de satanás tem sido o mesmo no século XXI: colocar dúvida no coração do homem diante da verdade que Deus ordenou. Porém, seus esforços não acabam por aí pois, além de levantar a dúvida, em seguida ele substitui o que Deus disse pela sua própria palavra, que é contrária à verdade divina: “É certo que não morrereis.” (Gn 3.4) e depois argumenta em cima da sua falsa afirmação: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.”

A semelhança com os dias que vivemos é imensa. Não somente colocam em cheque a verdade que Deus diz, como também, em seguida, propõe uma mentira no lugar da verdade. É comum vermos em nosso tempo grupos que advogam causas como  ideologia de gênero, feminismo e movimentos esquerdistas se valendo da bíblia  para afirmar algo contrário ao que Deus disse. O mais lamentável é ver alguns do meio da igreja se tornando adeptos de tais movimentos, pois deram ouvidos e trocaram a verdade de Deus pelas mentiras de satanás.

Não somente isso, em muitas igrejas se faz o mesmo quando certos “pregadores” abrem a boca para pregar sobre si mesmos, ensinando doutrinas de homens, advogando uma causa própria, desejando construir impérios para si, defendendo suas ideologias. Estes, há muito tempo deixaram de pregar a verdade de Deus.

3º cuidado
Apesar dos ataques do mundo sem Deus serem externos, nós certamente cedemos por causa da nossa fraqueza interna. Os nossos apetites naturais são traiçoeiros e podem nos levar a tomar decisões deliberadamente contrárias à verdade divina.

Embora a natureza de Adão e Eva não ter sido contaminada até a queda, os apetites naturais eram evidentes. Contudo, naquele momento, a mulher sucumbiu à tentação de satanás, entregando-se aos desejos pecaminosos da natureza no momento que não deu crédito ao que Deus disse. Foi quando ela viu que a “árvore era boa para se comer (desejo da carne), agradável aos olhos (desejo dos olhos) e árvore desejável para dar entendimento (soberba da vida)” (Gn 3.6). Notamos essa advertência em 1 João 2.16.

É isso o que acontece quando não damos ouvidos à verdade divina e passamos a ouvir o que o mundo sem Deus diz, a saber, satanás. Nessa questão não há imparcialidade pois só há 2 lados, a mentira ou a verdade. É impossível um meio termo. Ou você caminha firmado naquilo que Deus disse, ou você caminha firmado no que satanás disse.

Logicamente há uma consequência natural para qualquer uma das decisões: ou você se aproxima de Deus ou você se aproxima do mundo. É como afirma Tiago 4.4: Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”

Finalizando
Meus irmãos, que Deus nos ajude a caminhar na sua verdade. Que a nossa mente seja livre dos embaraços desse mundo e nos firme cada vez mais naquilo que o Senhor já nos disse. Para isso, precisamos nos dedicar mais e mais à leitura da sua palavra e à oração.  

Devemos cuidar para que, em nossos dias, não sejamos propagadores dos enganos de satanás, trocando a verdade de Deus pela mentira da serpente. Que sejamos trabalhados por Deus em humildade e sujeitando cada vez mais nossos apetites naturais à ordem de Deus. Se ele disse: não coma, não comeremos! Ainda que tenhamos vontade. Não vivemos para desfrutar das nossas vontades, mas para fazer a vontade de Deus. Isso significa nos sujeitar à Deus.

Que Deus nos livre de viver tudo que queremos. Que Deus nos livre de dar crédito à outra verdade, que não seja a dele. E que nossa maneira de pensar seja completamente moldada pela verdade divina e não pelo que achamos bonito e faz parte desse mundo.

Por fim, se você tem caído algumas vezes nessa armadilha da serpente no presente século, como muitas vezes me vejo ameaçado, temos uma grande esperança, a saber, Jesus Cristo. Ele é aquele que não deu crédito às mentiras de satanás e permaneceu firme nas verdades de Deus (Mt 4.1-11). E mais do que isso, foi Cristo quem morreu para poder nos salvar da condenação do pecado. É Cristo quem nos reconcilia com Deus e nos dá vida e na bíblia podemos encontrar seus conselhos!

Willy Menezes

segunda-feira, 6 de março de 2017

O que é o fruto da vida do crente?


Quando Jesus falou sobre o fruto [ou frutos] que seus seguidores deveriam ter, a que tipo de resultado ele estava se referindo? É basicamente a resposta desta pergunta que eu gostaria de compartilhar neste breve texto. Primeiramente quero tratar sobre o que não são estes frutos.

Geralmente cometemos a falha de observar os frutos por uma perspectiva errada e não poucas vezes confundimos os “critérios de avaliação”. Somos mais tendenciosos a nos impressionar com grandes sinais, carismas, dons e expressões que saltam aos nossos olhos. Queremos ver as coisas acontecendo e sentir o arrepio na pele. Porém, se tratando dos frutos que Jesus disse, esses não são os primeiros indicadores, tampouco o que os determina.

Os frutos que Jesus espera de nós não são, primeiramente, expressão de autoridade, poder, milagre ou algum outro carisma. Pois o próprio Jesus disse, referindo-se a esse contexto: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” (Mateus 7:22.23) ou seja, é possível fazer tudo isso e não ser discípulo de Cristo.

Dito isto, vamos pensar sobre o que seria então os frutos. Quando lemos o sermão do monte, Jesus estava ensinando sobre qualidades distintivas de um discípulo, ou seja, caráter, tais como humildade, mansidão, justiça, misericórdia e outros. Em outra ocasião ele diz: “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. ” (João 15:8) e para Jesus, o “ser discípulo” estava relacionado a “negar a si mesmo” pois "...qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo." (Lucas 14:27) e isso indica viver a vida de Cristo, por isso, o fruto da vida do crente não é medido por ações extraordinárias ou seus feitos, mas por seu caráter ser o mais próximo do de Cristo. Neste sentido fica muito claro quando lemos Gálatas 5.22-23 falando sobre caráter e não sobre carisma quando trata sobre o fruto do Espírito. Jesus estava falando sobre ter um caráter transformado e não sobre grandes demonstrações de poder.

Voltando à Mateus 7, após Jesus dizer “pelos seus frutos os conhecereis. ” (v.20) ele diz quem é o tipo de pessoa que produz bons frutos: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mateus 7:24) e aqueles a quem Jesus disse: “Nunca vos conheci” são os insensatos: “E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia” (Mateus 7:26) e estes não produzem bons frutos.

Portanto, busquemos todos os dias ter um caráter semelhante ao de Cristo e não expressão de poder algum. Que sejamos mais parecidos com o homem prudente que ouve a palavra de Deus e as pratica. Certamente esta é uma obra que somente Cristo pode operar em nossas vidas, por isso, devemos clamar pela transformação graciosa todos os dias em nossas vidas. Sugestão de leitura: Mateus 7.15-29; João 15.16-20 e Gálatas 5.22-23.

Em Cristo,
Willy Menezes


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Jesus não queria pessoas boas...

Hoje pela manhã eu estava em um banco esperando minha vez para ser atendido; enquanto isso, lia um livro e refletia muito sobre algumas questões da vida que eram implicações do assunto tratado no livro.  Pensando então no último texto que eu havia escrito, e que falava sobre oração, continuei refletindo no assunto e chegando a algumas conclusões. Portanto, quero compartilhá-las com vocês.

Quais requisitos nós usamos pra declarar que alguém é uma boa pessoa? Normalmente pensamos em coisas como “não roubar, não matar, não mentir, não trair, ajudar o próximo” e coisas do tipo. Usamos esse mesmo princípio na educação dos nossos filhos, na escolha de alguém pra casar, em nossas amizades e por aí vai. Somos “bons” pra fazer listas para que as pessoas cumpram certas exigências, sendo adequadas aos requisitos e então estejam aprovadas em nossa seleção para poder dizer: é um bom filho, uma boa esposa, um bom amigo. Afinal, queremos pessoas boas para nós!

O apóstolo Paulo queria que as pessoas tivessem boas condutas e realizassem boas obras, sem dúvida. Mas Paulo não fez uma lista de exigências para que a Igreja cumprisse. Podemos pensar que talvez fosse mais fácil se existisse essa lista. Mas o que Paulo sabia era que a transformação no comportamento e na vida das pessoas deveria ser fruto da graça maravilhosa de Deus e não resultado de esforços humanos como quem levanta um troféu de conquista. Pois essas mudanças refletem mais que apenas comportamentos.

Muitas vezes (pra não dizer quase sempre) somos tendenciosos a focar exclusivamente no comportamento. Percebemos isso quando fazemos listas do que deve ou não deve fazer, quando nos esforçamos apenas para que nossos filhos não falem palavrão ou quando queremos que um amigo seja mais gentil com alguém; e então desejamos uma “mudança de comportamento”. 

Algumas vezes dizemos: “tudo que quero é que ele se comporte de tal forma”. Precisamos entender que essa mudança de comportamento pode até acontecer, mas se não for recheada do evangelho da graça de Deus podemos estar apenas treinando pessoas para serem hipócritas ou orgulhosas. Além disso, podemos estar lançando fardos nas pessoas, como se tudo isso fosse tão pesado ou talvez até impossível de se cumprir. (Logicamente existem mudanças que não implicam um caráter moral ou graça do evangelho, como a escolha entre a cor verde e azul, skate ou guitarra, torcer pra um time ou pra outro. Entendam que não estou falando disso).

É por isso que Paulo não fez listas do que pode e do que não pode. E quando ele fala sobre comportamento de um cristão é por que ele já falou da maravilhosa graça de Jesus Cristo – o verdadeiro motivo para a nossa mudança de comportamento. Percebemos que Paulo ao escrever suas cartas ora e encoraja os cristãos a andarem dignos da vocação que foram chamados, deseja que eles sejam cheios de conhecimento de Cristo, cresçam em sabedoria, entendimento, e em amor. E sim, todas essas coisas que ele ensina são capazes de mudar o comportamento das pessoas, pois tratam da graça de Cristo. Paulo não queria pessoas boas, mas cristãos piedosos, tementes a Deus, pois as mudanças no comportamento seriam resultados disso, da graça de Deus e não do esforço humano. Isso nos ajuda até levar em conta o tempo de conversão e desenvolvimento da pessoa para alcançar a maturidade.

Às vezes queremos formar líderes e focamos apenas nas “10 características que um verdadeiro líder deve ter”, isso é apenas um legalismo forjado por uma boa vontade e para um bom propósito se não vier precedido pelo evangelho. Temos que ensinar as pessoas a amarem a Cristo. Mas como? Ensinando-lhes sobre o evangelho, mas antes de tudo, vivendo o evangelho. 

Qualquer ateu pode ter bons comportamentos e agir de maneira heroica. Não devemos os desmerecer por isso. Mas pergunte por qual motivo eles se comportam assim? Provavelmente (ironia aqui) você não vai encontrar uma resposta do tipo: “Porque a graça de Deus me alcançou e o evangelho de Cristo me ensina a ser assim e amar as pessoas”. Vamos encontrar filhos de não crentes que são mais obedientes e educados do que filhos de crentes (logicamente há uma falha enorme na educação destes últimos que é responsabilidade dos pais e que daria um importante texto), mas o quanto da graça e do evangelho tem sido ensinado na educação dos nossos filhos? Ou queremos apenas filho comportados e ponto final? Quando na verdade devemos desejar filhos com o coração transformados que se comportem de maneira a responder de forma digna da vocação e gratos a Deus? (então vivam e ensinem isso aos seus filhos!).

Não é errado ter uma sociedade moralmente correta (apenas é impossível, mas tudo bem rs). Logicamente não é errado, mas para aqueles que desejam viver para glória de Deus, é completamente sem lógica e sem razão deixar o evangelho da graça fora da história, focar numa questão de comportamento (do que é certo e errado) e viver apenas um legalismo religioso semelhante aos fariseus. Devemos ter e ser filhos obedientes, sem dúvida, mas ter e ensinar princípios [em Deus] que nos levam a ter comportamentos obedientes à sua vontade buscando glorificar a Deus. 

É por isso que não queremos pessoas boas, mas queremos que elas sejam cheias do evangelho e da graça de Cristo, aí sim vamos andar como é “digno da vocação com que fomos chamados” (Ef 4.1). Ser “bom” em si mesmo fará apenas você parecer ser “bom” pelos seus esforços e assim rejeite Cristo. O jovem rico era “bom” aos olhos dele mesmo e “cumpria” a lista dos deveres e obrigações de um judeu. Mas ele talvez tenha esquecido que a “lista” dos 10 mandamentos não era meramente uma lista, implicava em amar a Deus acima de todas as coisas e por isso nunca deveria ter nada ocupando o lugar de Deus em seu coração. 

Jesus Cristo quando estava diante dos fariseus não os apoiou no que faziam, pois Cristo sabia muito bem que eles estavam focados apenas no comportamento, mas Cristo estava focado na transformação do coração. Jesus não queria pessoas boas, queria pessoas com corações transformados, pois estes lutariam por obedecer a Deus e viver pra Sua glória. Os fariseus eram “bons” em julgar pelo comportamento (é o que a lei faz e até nisso somos reprovados), por isso achavam que poderiam ser bons, mas não cuidavam de suas intenções e seus corações. E muitas vezes somos semelhantes a estes fariseus. 

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” Mateus 5:27-28

A lei nos mostra que somos incapazes e não somos bons, além disso, nos mostra que precisamos de um redentor, que é o próprio Cristo – o único que cumpriu todas as exigências da lista. Por isso somos amados por Deus e podemos ser salvos por sua graça. “Ele o ama por que você está no Filho que ele ama; sim, mas também porque ele escolheu derramar seu amor sobre você. Por quê? Eu não sei. Quando meus netos me perguntam por que eu os amo, eu não pego uma lista de todas as coisas que eles fazem que os tornam dignos do meu amor. Se eles me perguntam por que eu os amo, eu simplesmente digo: Porque você é você, e eu o amo” (Do livro: Pais Fracos, Deus Forte)

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Romanos 5:8

“Podemos pedir-lhe [ao Espírito Santo] para nos ajudar a sermos “detetives da graça” para nos tornarmos mais conscientes da forma como o Senhor está trabalhando na vida deles do que da forma como estão falhando” [Em relação aos filhos] no livro “Pais Fracos, Deus Forte” – Editora FIEL. Este é o livro que citei no início do texto. Recomendo!

Dê uma lida também em: Lucas 18.11-14 e Mateus 15.7-11

Que o Senhor nos ajude a termos corações transformados!

Ps.: Entenda o uso do verbo “querer” quando aplicado na frase “não quero pessoas boas” ou "Jesus não queria pessoas boas". Não significa rejeição, mas o desejo de “formar”, “preparar”, “nutrir” pessoas que tenham um coração transformado pelo evangelho. Não significa que não amo as pessoas que não têm um coração transformado pelo evangelho, pelo contrário, as amo, mas que meu desejo é que essas pessoas sejam transformadas por ele.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Uma oração quase esquecida pela Igreja.

Quando paramos para pensar em nossos momentos de oração, analisando o conteúdo das mesmas, podemos chegar a algumas conclusões breves que irei compartilhar nessa reflexão. E ao analisarmos as orações de Paulo, percebemos que existe uma oração que foi ‘quase esquecida’ pela Igreja, não pela falta de tal motivo ou da sua necessidade; o que nos leva a concluir que nós esquecemos, abrimos mão, ou colocamos outros motivos “mais importantes” como prioridade.

Não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamado, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder” Efésios 1.16-19

Quando olhamos pra esse tipo de oração que Paulo faz, percebemos que seus anseios são relacionados às “bênçãos espirituais”, para que a Igreja seja capacitada por Deus para exercer sua vocação e crescer cada vez mais no conhecimento de Cristo, em sabedoria, no entendimento espiritual e na sua vontade. As orações “primordiais” de Paulo parecem ser direcionadas para que a Igreja viva sua identidade, exercendo o amor uns para com os outros, frutificando em boa obra, e crescendo à semelhança de Cristo. Embora Paulo não ignorasse outras necessidades, elas não se tornavam o ‘conteúdo principal’ de suas orações. As orações de Paulo eram ‘saturadas’ do anseio para que a Igreja glorificasse a Deus, edificasse uns aos outros, e alcançassem aqueles que eram estrangeiros, como nós, a fazerem agora parte da família de Deus.

Paulo estava ciente de que “assim como [Deus] nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito (bondade, bom propósito) de sua vontade, para o louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”, agora Paulo deseja ardentemente que estes eleitos vivam de forma plena. Pois já fomos abençoados com “toda sorte de bênção espiritual”, somos agora feitos “herança”, além disso, “selados como o Santo Espírito” para vivermos para o louvor da sua glória. 

Qual a última vez que você orou neste sentido por seus irmãos, por sua igreja e por si mesmo? Diante de todas as dificuldades e necessidades, somos conduzidos a orar por bens materiais, curas, e soluções para certos problemas. Todos estes são motivos dignos, mas não podemos negligenciar essa oração que Paulo fez pala Igreja. Vamos nos lembrar de orar neste sentido e encorajar outros a fazerem o mesmo!

Confira outras orações de Paulo:

Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome de toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o cumprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” Efésios 3.14-19

E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção” Filipenses 1.9

Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus” Colossenses 1.9-10

E o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco” 1 Tessalonicense 3.12

Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé” 2 Tessalonicense 1.11

Ora, o Senhor conduza o vosso coração ao amor de Deus e à constância de Cristo” 2 Tessalonicense 3.5

Bênçãos,

Willy Menezes

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Deus provê tudo que preciso? Uma reflexão sobre a provisão divina!

Olá, pessoal. Depois de um tempo (como quase sempre), retornei a escrever alguma coisa aqui. Outra noite estive pensando muito sobre a questão da “provisão de Deus” e enquanto dirigia, refletia sobre. Senti-me bem entusiasmado a escrever um pouco sobre o assunto e poder, quem sabe, esclarecer alguns aspectos importantes da provisão divina.

Quando falamos de provisão, logo pensamos na ideia de sermos supridos naquilo que precisamos em determinado momento. Isso é um conceito comum para a palavra “provisão”. Portanto, costumamos usá-la desta forma. O problema disso é que acabamos atentando, em muitos casos, simplesmente para nossa satisfação pessoal. É aí que o conceito pode tomar uma proporção arriscada quando relacionamos à providência de Deus.

Quem nunca ouviu por aí alguém dizer: “peça [ou ordene] a Deus, pois Ele deve [ou tem a obrigação] de lhe dar algo”, “Se você é cristão, não deve sofrer”, “declare que Deus lhe dará tal coisas”, “reivindique seus direitos de filho do Rei”. Ou ainda: “Se tu és filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães” – essa você conhece! Pois bem, este é um conceito errado de compreender a provisão de Deus em nossas vidas. Mas tem muita gente por aí pensando que as coisas funcionam desse jeito.

Se a provisão está ligada ao suprimento da necessidade, então qual é a nossa maior necessidade? A resposta é simples e clara: Deus! (Rm 3.23). Mas se fomos separados de Deus por causa do pecado, precisamos de uma provisão que suporte e seja suficiente pra isto: o próprio Cristo! Foi por isso que Cristo não morreu para que nós fôssemos providos de roupa, de casa, carro ou bens. Ele morreu para nos prover da nossa maior e desesperadora necessidade – Deus - e assim então, nos conduzir Ele (1 Pe 3.18). Por isso ele é nosso Redentor, a nossa Salvação, meio de nos levar a Deus!

A justiça é um dos atributos de Deus, portanto, Ele é completamente justo. Como poderia alguém que cometeu um crime ficar sem sua devida punição? É uma grande injustiça. É por isso que a ira de Deus se revelará contra estes. E é completamente justo que todos paguem por seus pecados. Sendo assim, todos, sem exceção, merecem a morte eterna, pois todos pecaram, e esta é a punição devida. É neste momento que percebemos que a justiça de Deus precisa ser saciada e exercida, afinal, Ele é justo. Enquanto nós somos merecedores desta ira divina, Deus provê para si mesmo o Cordeiro, a fim de que este Cordeiro receba a ira divina em nosso lugar, homens miseráveis. Ele providenciou o sacrifício para aplacar sua própria ira contra nós. Isto é a provisão divina certa (João 1.29 / 1 Co 5.7).

Não digo que Deus não será seu provedor nas questões relacionadas ao seu dia-a-dia, mas afirmo, sem dúvida, que há algo sem igual em que sua alegria e fé devem depositar a esperança: Cristo. Nossa plena satisfação não deve estar em coisas materiais e sim em Cristo, portanto, ainda que venha nos faltar o alimento ou a roupa, nossa provisão maior nunca faltará, estaremos satisfeitos, alegres e exultantes no Deus da nossa salvação (Hc 3.17-19). Temos O pastor que nunca faltará a nós (Sl 23.1), por isso estamos saciados e satisfeitos nele.

Não é bíblico achar que a providência de Deus vai trabalhar para que você tenha tudo que precisa. É bíblico ter a certeza de que a providência de Deus vai trabalhar, em todo tempo, para que Ele seja glorificado e para que tudo saia perfeitamente como Ele quer. Pois Ele é Deus!

Enquanto Paulo sofria pelo evangelho, a provisão de Deus era constante na vida dele, na prisão, nos açoites, nas ameaças, perigo de morte, nos naufrágios, na fome, sede, frio, nudez. Quando Paulo morou em Roma por 2 anos em uma casa alugada (At 28.30), a provisão de Deus não falhou por não ter dado uma casa própria a Paulo. Tanto na fartura, quanto na necessidade, Paulo estava satisfeito em Deus. E assim nós devemos seguir plenamente satisfeitos em Deus, independente da situação, pois Cristo não é “mais uma coisa que temos”, ele é a única coisa que temos, pois sem ele, estamos desesperadamente perdidos. É por isso que você pode passar por tribulações e ainda assim ter alegria no coração. E é nele que tudo faz sentido e tem vida!

"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Romanos 11:36

Comentário relacionado:

A Bíblia é um livro sobre Deus e não sobre nós. Podemos ver claramente o zelo de Deus por sua própria glória (que não divide com ninguém). Ele é satisfeito em si mesmo. Então na sua providência: Ele preserva todas as coisas, sustentando-as pela Palavra do seu poder (Hb 1.3). Ele realiza todas as coisas conforme o seu o conselho da sua vontade (Ef.1.11). Ele governa todas as cosias para que cumpram seus propósitos eternos (Sl 103.19).

Entendendo isto, percebemos que o foco nas escrituras não somos nós e sim o próprio Deus. Portanto, Deus está “preocupado” em cuidar de que Ele mesmo seja glorificado e que as coisas resultem em glória a Ele. Percebemos assim que nós entramos na “história de Deus” e não foi Deus quem entrou em nossa história, pois sem Ele, o mundo não existiria. Mas às vezes nos colocamos no centro do universo, exigindo que todas as coisas cooperem e sirvam em nosso favor.

Versículos relacionados ao texto: Hebreus 1.3 – Efésios 1.11 – Salmos 103.19 - Romanos 11.36 – Isaías 53.7 – 1 Pedro 1.18-19 - Habacuque 3.17-19 – Atos 20.30 – Salmos 23.1 – 1 Coríntios 5.7 – João 1.29.

Willy Menezes

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Quero Cristo, mas não quero viver como cristão ?

Não sei quantos de vocês já pararam para pensar um pouco, com seriedade, sobre sua vida com Deus. Tá, você pode dizer: “Sim, faço isso constantemente”. Quero saber quantos já foram confrontados com Deus e Sua verdade a ponto de que isso lhe causasse uma mudança verdadeira? E que não fosse apenas um momento emocional ou de reflexão com um fim em si mesmo. Que essas verdades custassem de forma prática e sacrificial na sua vida diária. Pare e pense!

Temos conhecido uma geração de jovens que “aceitam” com alegria a graça de Deus, mas não querem ser discípulos de Jesus Cristo. Querem usufruir da salvação de Deus, mas não querem ser participantes no sofrimento de Cristo. Querem ser libertos da condenação, mas não tomam para suas vidas o “negue-se a si mesmo” (Mateus 16.24). Querem viver no céu, mas não querem viver como cidadãos do céu enquanto estão na terra (Efésios 4.1-1), tampouco querem ter o custo de anunciar a mensagem de salvação a outros.

A verdade é que muitos querem Cristo [suas bênçãos e benefícios], mas não querem viver como cristãos [obediência, renúncia e sacrifício]. Querem ser chamados filhos de Deus, mas não querem nem conhecem as implicações que isso nos leva. Tem Jesus por "bom pastor", mas não ouvem Sua voz (João 10.27).

Querem ter seus pecados perdoados, a salvação, mas não querem comprometimento nenhum com Cristo. Infelizmente uns usam a desculpa de que “sou jovem” para poder viver desenfreadamente sem postura de homem ou mulher de Deus, sem retidão, vivendo como bem lhe apraz, mas com a “garantia” de que tem a “salvação” de Cristo na sua vida. Outros, pelo intelecto, liberalismo e relativização da Bíblia acabam caindo nos mesmos erros, ou piores. Não seja como aqueles que transformam a graça de Deus em libertinagem (Judas 1.4). Infelizmente lamento dizer que muitos destes pensam, falam e vivem de maneira insensata, inconsequente, não moldados a Cristo, e são piores do que muitos que não se declaram cristãos.

Hoje é comum ver em nossos cultos dominicais mãos levantadas na hora das canções, pessoas que choram, se emocionam, cantam louvores, dizem mil e uma coisas naquele momento... Já disseram que suas vidas são de Cristo, que querem e pertencem a Deus, e tantas outras coisas. Mas isso não adianta de nada se não for precedido de um compromisso rigoroso ao Senhor. Ou serão meras palavras e emoções.

Por favor, não diga que Cristo é tudo na sua vida se você não dá a mínima pro que ele diz (Mateus 15.8). Não diga que Deus é tudo pra você, se você não conhece nada dos Seus atributos, não observa Seus preceitos, nem tampouco se esforça pra conhecer e obedecê-lo. Não diga que não consegue viver sem Deus se você não se dedica à comunhão com Ele. Ou se tudo isso está apenas em seu intelecto e não no seu coração. Não diga isso para a vergonha do Evangelho. (Romanos 2.24)

Não use a desculpa de que “sou jovem” para sua falta de comprometimento com a Palavra e com Deus; para colocar em seus cultos de coisas bizarras, entretenimento, coisas ridículas; para pegar coisas mundanas e encher seus cultos. Não é isso que o Senhor pede de nós, não é este o culto ao Senhor. Porque queremos dar tais coisas a Ele? Queremos fazer um culto segundo o mundo ou um culto segundo Deus? É de partir o coração quando vemos uma igreja querendo imitar o mundo para atrair jovens... E ninguém querendo imitar a Igreja. E nessa história toda, poucos são os que querem imitar a Cristo.

É triste ver pessoas que dizem ser geração radical, loucos por Jesus, adoradores extravagantes, quando dedicam tão pouco tempo em comunhão e em serviço ao Senhor, quando ainda não se humilharam diante de Deus, quando conhecem e obedecem tão pouco da Sua Palavra. Esta é a geração jovem que muitas vezes lotam os “shows gospels”, mas não estão presentes em reuniões de oração ou em culto de doutrina. Muitos destes usam a igreja como apenas ponto de “encontro da galera”, diversão, passatempo e não como casa de oração, lugar de encontrar seus irmãos para em comunhão adorarem a Deus e aprender da Sua Palavra.

É uma geração que acha que por estarem na igreja, por participarem dos cultos, por estarem no louvor, ou em algum grupo específico, por irem ao acampamento ou ao retiro, acham que está tudo bem. Não se engane com isso e converta-se ao Senhor e busque de todo coração. E queira deixar a vida de criança para viver uma vida cristã madura. Este não é um alerta apenas pra você, mas pra mim também!

Este não é um convite para que você seja uma pessoa impecável, nem tampouco para pessoas fortes demais em si mesmas. Mas um convite para pecadores como eu, que eram rebeldes contra Deus, destinados à morte eterna, mas que foram achados por Cristo e buscam uma vida transformada a ponto de que nem o pecado, nem sua fraqueza serão suficientes para lhe parar no seu comprometimento e busca por Cristo e por ser parecido com ele.

Eu sei que em meio a essa turbulência toda, em uma geração tão difícil, há também aqueles que se comprometeram em honrar a Deus com suas vidas. Meu desejo profundo é que vocês nunca desistam, mas que sejam moldados à imagem de Cristo - no sofrimento, na provação, na perseverança, em tudo que ele passou e nos ensinou. Queira deixar seu legado no meio desta geração. Mais do que relevantes aos olhos dos outros, importa que sejamos encontrados fiéis ao nosso Senhor.

Isto não é um clamor por uma vida legalista, mas um clamor por uma vida de amor e dedicação ao Senhor!

Willy Menezes

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O "ide" e "vinde" de Cristo!

Olá, gente. Faz um bom tempo que não atualizo o blog. Espero poder realizar algumas postagens com mais frequência. Hoje no seminário durante a aula da disciplina “evangelismo e discipulado” eu estive pensando sobre o que era ensinado e algumas outras ideias, daí então resolvi escrever este texto.

Penso que a maioria de nós em algum momento da vida já trocou a ordem de alguma coisa em determinada situação. Sim, um processo precisa de ordem, etapas, passos que precisam ser seguidos; e quando invertemos a ordem ou pulamos alguma etapa podemos comprometer o resultado do processo. Em nossa vida cristã, no que diz respeito ao chamado de Deus para nossa vida, há uma ordem [no processo] que nunca deve ser invertida, porém, infelizmente acontece, e isso é bem visível.

Trata-se de um dos versículos mais conhecidos quando falamos de missões, evangelismo e discipulado. É a trecho de Mateus 28:19 que diz: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Vamos fazer um comentário bem simples e espero que sua mente esteja propícia à compreensão da lógica de Deus que é bem clara.

Para que possamos cumprir a ordem conhecida como o “IDE” de Cristo, precisamos, antes disso, cumprir a ordem do “VINDE” após Cristo, e não o contrário (como o título da postagem sugere). É o que Cristo diz em Mateus 4:19: “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”. Em uma análise rápida podemos compreender algumas ideias: “vinde após mim” relaciona-se à glória de Cristo (o caminho), o “eu vos farei” relaciona-se ao poder de Cristo para transformação e edificação da igreja e o “pescadores de homens” relaciona-se à salvação dos perdidos.

Fico admirado com outro ensinamento que temos sobre a maneira que devemos responder ao chamado de Deus. No mesmo texto, após Cristo dizer “vinde após mim”, diz: “Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no.” – a ideia, no original, quer dizer algo como “no mesmo instante”, ou seja, eles prontamente responderam ao chamado do Senhor Jesus, enquanto nós muitas vezes queremos um tempo pra pensar bem.

Podemos perceber de maneira muito clara que é Cristo quem tem o poder de nos tornar pescadores de homens. Quando lemos que foi Cristo quem nos escolheu, e não nós que escolhemos a ele (João 15.16), temos a certeza que é uma obra vinda dele e que sem ele não podemos fazer absolutamente nada (João 15.5). Ele é a fonte, ele é o início, ele é o fim.

Entendemos, portanto, que o primeiro objetivo da evangelização bíblica não é a igreja, nem o perdido, nem coisa alguma, a não ser a glória de Deus. A partir disso todas as outras coisas podem tomar forma, a edificação da igreja, a salvação dos perdidos, dentre outros. Isso é tão importante porque se não tivermos esta visão, podemos caminhar rumo a uma falsa impressão sobre a excelência e eficiência do nosso ministério e não estarmos comprometidos com a glória de Deus e sim com qualquer outra coisa aparente. Devemos sempre lembrar que qualquer ministério em que estivermos o objetivo principal é a glória de Deus, depois a edificação da igreja e a salvação dos perdidos.

Em Mateus 28:19, a ênfase não é no "IDE" e sim no “fazei discípulos” - esta palavra [fazei] encontra-se no imperativo, no seu sentido original, enquanto o meio [ir], no sentido original, é um particípio, “indo”, ou seja, o meio pelo qual iremos cumprir a ordem de Cristo. Outra ideia que podemos perceber é que não devemos esperar que eles “venham” e “vejam”, mas que devemos ir ate eles. 

Mas pense um pouco nisso; as vezes as emoções, movimentos, os impulsos, projetos e centenas de campanhas nos motivam a "ir" - naturalmente vemos pessoas indo de um lado para outro quando falamos de missões, mas precisamos estar bem certos de que a ênfase nesse chamado é em "fazei discípulos". Percebemos, portanto, que não adianta absolutamente nada correr de um lado pra outro com a ideia apenas de "ir" [e não fazer nada], tendo a sensação de cumprir o tal do "ide", e no fim, esquecer de obedecer a ordem principal de discipular. Um lembrete: “...vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça” João 15:16

Bem, já que a ordem principal é “fazei discípulos”, precisamos, antes de qualquer coisa, sermos discípulos, e isso implica em uma vida de renúncia e intimidade com Deus como diz: “E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.” Lucas 14:27. O “negue-se a si mesmo” é para aqueles que querem o “vir após mim” (Mt 16.24 e Mt 4.19). Nesta mesma ordem, compreendemos que o “vir após mim” é para os que querem cumprir o “ide”, ou em melhor compreensão, o “fazei discípulo”. (Talvez sirva uma postagem sobre discipulado depois).

E fazer discípulo não é apenas ir. Ele nos dá uma direção clara na continuação do versículo de como devemos fazer isso: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado...”, percebemos que não são apenas algumas coisas. Além disso, nos encoraja de uma maneira tão preciosa, dando-nos uma promessa de que nunca estaríamos sozinhos nesta missão: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”. Ele é nossa segurança. Que Deus precioso!

“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel.” 1 Coríntios 4:1-2

Por uma vida mais bíblica e para glória de Deus,

Willy Menezes / 01:24 em 14.08.14

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Princípio do perdão

Temos visto e conhecido o perdão como um elemento importante, que muito representa o evangelho e a centralidade dele: Cristo. Porém, da mesma forma, temos percebido, de maneira crescente, um fundamento errado na concepção de perdão.

Em simples palavras: exercemos o perdão quando alguém erra contra nós. Se alguma pessoa errou contra mim, devo perdoá-la. Contudo, qual é, afinal, o real motivo do perdão? – Quero que entenda que não há algo, na pessoa que praticou o erro, que justifique o perdão. Também não há nada que ela possa fazer para “merecer” seu perdão.

Se você fez algo contra mim e que me feriu, eu preciso lhe perdoar. Mas não porque depois você fez alguma coisa boa, ou me agradou, ou me presenteou. Afinal, se eu lhe perdoo por qualquer uma destas razões, eu estaria, na verdade, “negociando” ou “condicionando” o meu perdão (uma atitude, no mínimo, bastante interesseira). Seria mais ou menos assim: “Faça-me algo de bom, que eu lhe perdoo pelo mal que você me fez anteriormente”. Infelizmente, muitas vezes, temos agido assim.

O perdão não é algo dado a alguém por “merecimento”. Não devemos procurar em nosso próximo algo que o faça ser digno de perdão. É por isso que, por diversas vezes, temos dificuldade em perdoar – porque queremos algo em troca, ou que a outra pessoa faça alguma coisa que a torne merecedora. O perdão é concedido através de um ato de amor, e este, por sua vez, é inegociável e incondicional. (Que bom que Jesus nos ensina sobre o perdão, no capítulo 6 de Mateus, após já ter nos ensinado, no capítulo 5, que devemos amar nossos amigos e inimigos!).

Embora a Bíblia nos ensine bastante a respeito do perdão, temos trocado, muitas vezes, consequências por princípios.

Princípio
Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” Efésios 4:32

Princípio: Perdoe seu próximo como (e porque) Cristo perdoou você.

Consequência
"Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas." Mateus 6:14-15

Consequência: Se você não perdoar aos homens, Deus não perdoará você.

Há uma relação muito importante entre “princípio e consequência”. O fator principal em nossas vidas deve ser: viver os princípios bíblicos por obediência e amor a Deus (em vez de: obedecer aos princípios por medo das consequências). Há uma profundidade muito grande nisso que pode mudar radicalmente a maneira de vivermos o evangelho.

O princípio é sempre o motivo pelo qual você deve agir em determinadas situações. A consequência sempre será um fator condicional nas atitudes que você tomar, caso não obedeça aos princípios. Perceba, na frase abaixo, uma verdade, porém, estabelecendo apenas a consequência:

Converta-se a Cristo, senão você vai para o inferno!

E agora trazendo o princípio:

Converta-se a Cristo porque Ele muito lhe amou e se deu para morrer em seu lugar!

Os princípios de Cristo são sempre fundamentados no amor. Deus os fundamenta em si mesmo (porque Ele é amor) e não em qualquer condição do homem pois sabe que qualquer motivo para agir que não seja Seu amor, Sua glória e Seus atributos é insuficiente.

Viver observando a consequência nos traz um peso muito grande e faz-nos sentir presos (não a Cristo, mas ao medo das consequências), ao contrário de viver observando os princípios (que nos traz paz). Na realidade, isso também nos prende, mas a Cristo e ao Seu amor.

Finalizando em poucas palavras:
Perdoar alguém está mais relacionado ao amor e ao fato de sermos imitadores de Cristo (fazendo o que Ele fez e faz conosco) do que a algo que devemos fazer para ficarmos livres, sem culpa ou impedidos de crescer espiritualmente. Infelizmente, muitas vezes, em vez de exercermos a misericórdia e o amor que temos (ou deveríamos ter) pela pessoa que errou contra nós, encaramos a questão de "liberar perdão" como um processo em favor da nossa própria saúde espiritual. Talvez seja mais fácil ouvir: "Perdoe o seu próximo para que você não fique preso e impedido de crescer!" do que: "Perdoe o seu próximo porque Cristo assim fez conosco, demonstrando seu grande amor por miseráveis pecadores!". Qualquer coisa que não seja amor é pouco para exercer o verdadeiro perdão.

Texto: Willy Menezes
Revisão ortográfica: Pablo Aires

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Satisfação e aceitação

Depois de bastante tempo sem escrever por aqui, Deus tem relembrado algo em meu coração que sempre tenho compartilhado com alguns amigos. Penso que seja uma boa ideia compartilhar com vocês também.

Em nossos dias, é aparentemente comum nos depararmos com certas responsabilidades que, ao serem satisfeitas, nos dão a sensação de que realmente cumprimos o dever que precisava ser cumprido. Este é um senso normal de responsabilidade, o qual é, no mínimo, muito importante.

Entretanto, quando olhamos para a Bíblia, entendemos que nem tudo é do jeito que sentimos ou pensamos. E infelizmente, este mesmo senso de responsabilidade conduzido e interpretado de maneira errada pode complicar um pouco a nossa vida cristã. Vamos já entender!

Por muitas vezes, somos bastante zelosos no que diz respeito à obra de Deus e isto não é necessariamente um problema. Em muitos momentos, nos focamos em realizar algo da melhor maneira possível, ou seja, não queremos errar (e isso é ótimo), mas sim, cumprir certas responsabilidades diante de Deus por alguns motivos. Contudo, um grande problema pode ser iniciado a partir daí se o nosso coração não estiver no centro da vontade de Deus.

Infelizmente, interpretamos de maneira muito errada certas situações quando consideramos, para com Deus, o mesmo senso de responsabilidade que utilizamos para tantas outras coisas; acreditamos, por muitas vezes, que realmente precisamos ter todo o zelo, fazer o melhor e ser perfeitos para, deste modo, recebermos a aprovação de Deus. Além disso, outro problema nisso tudo é o fato de que, quando não alcançamos êxito naquilo que fizemos, sentimo-nos reprovados diante de Deus, indignos, insatisfeitos, fracassados e arrasados.

Começamos a acreditar que Deus não nos aceita por conta do nosso fracasso. Lamentavelmente, isto pode ter uma consequência ainda maior. (Entenda que não estou dizendo que você não deve fazer algo com excelência para Deus. Porém, o fato é que isso não te fará mais aceitável e atraente para Ele – esta não pode e não deve, portanto, ser a finalidade de suas ações).

Entendo que, por muitas vezes, procuramos desempenhar nossas atividades com o maior zelo possível com o intuito de agradar a Deus porque Ele é santo e merece o melhor. Porém, se essa busca for conduzida de maneira errada, poderemos nos encontrar diante de algo que, infelizmente, ainda é um grande problema em nosso meio: sacrifícios e grandes obras em busca da satisfação e aceitação. Te explico melhor!

Quando pensamos desta forma, estamos procedendo como quem procura por recompensas ou, ainda, como alguém que quer se tornar “mais apresentável” diante de Deus. Em diversas vezes, agimos com esse tipo de “propósito” quando exercemos algum cargo na igreja, participamos de vários ministérios, realizamos missões e evangelismo, fazemos jejum e caminhadas de oração, pregamos, discipulamos, dançamos, gritamos, corremos, trabalhamos em várias coisas na igreja, passamos madrugadas acordados, subimos no monte... E no fim, por causa deste nosso “senso de responsabilidade”, acreditamos que, ao cumprir todas estas coisas, receberemos uma maior aprovação diante de Deus e que Ele se achegará a nós por causa de tantas “obras excelentes” realizadas. Na verdade, nada disso nos faz aceitáveis diante de Deus. A única “obra” que proporciona isso decorre do que o próprio Jesus Cristo fez por nós: a redenção pelo Seu sangue. É somente por meio de Sua graça que podemos ter essa aceitação, afinal, o que realmente merecemos por nós mesmos é a morte, e morte eterna!

Não seremos melhores enquanto estivermos preocupados primeiramente em apresentar grandes coisas (ou grandes ofertas e sacrifícios) diante de Deus. Devemos ter sempre em mente que o que agrada a Deus é, na verdade, o fruto que provém de um coração rendido a Ele. Veja o que diz a palavra:

Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” Miquéias 6:6-8

O excesso de atividades relacionadas às coisas de Deus nos dá, em diversos momentos, a sensação de realização, satisfação e dever cumprido com Deus. Precisamos entender, contudo, que não temos condições de fazer o que o próprio Deus já cumpriu por meio de Cristo. Infelizmente, por falta de entendimento, acabamos nos envolvendo em um verdadeiro “ativismo”: começamos a andar de um lado para o outro, nos cansamos e, ao final de tudo, encontramo-nos saturados, esgotados e insatisfeitos. Passamos a viver nesta constante busca pela aceitação de Deus e da igreja através das nossas obras e ações e acabamos nos esquecendo do principal, da melhor parte:

Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” Lucas 10:40-42

Observando o trecho acima, podemos perceber que não era errado o fato de Marta querer servir, afinal, isso é bíblico. Em muitas situações, contudo, iremos nos deparar com atividades e responsabilidades que “são de Deus”, que “são bíblicas”, mas que não devem ser assumidas apenas pelo fato de “serem boas”. A verdade é que, em determinados momentos, Deus quer apenas que aquietemos nossos corações, respiremos fundo e nos coloquemos atentos à Sua voz; quer que nos separemos para orar e ler sua palavra, contemplá-lo e descansar n’Ele. E até mesmo, quem sabe, ir pescar, fotografar um pouco ou conversar por horas com os amigos.

Toda boa obra e tudo o que fizermos deve ser fruto da salvação de Cristo em nossas vidas. De maneira nenhuma O recompensaremos por obras quaisquer que venhamos a fazer. Porém, isso não invalida o fato de termos que servir a Deus sempre com excelência; o que não podemos é acreditar que isso nos tornará melhores, mais santos e aceitáveis diante d’Ele e esperar que Deus nos diga um “obrigado” por isso.

"Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer." Lucas 17:10

Deus nos ama independentemente de nossas obras, ou seja, o seu amor não depende de esforço algum da nossa parte. Se fosse considerar o que fazemos, Ele nos odiaria eternamente. Entretanto, Ele nos ama simplesmente porque decidiu nos amar! E este, portanto, é o principal motivo pelo qual você deve se sentir amado por Deus e pelo qual devemos ser eternamente apaixonados por Ele!


Coisas que não estou dizendo:

·         Que você não deve procurar fazer com zelo as coisas do Senhor;
·         Que você não pode ou não deve ficar satisfeito com seu trabalho;
·         Que Deus não se importa com o que você faz ou deixa de fazer;
·         Que pra Deus tanto faz você fazer bem feito ou mal feito;
·         Que você não deve realizar boas obras;
·         Que seu trabalho é em vão para o Senhor;
·         Que você não deve fazer algum esforço ou sacrifício na obra de Deus.


Texto: Willy Menezes
Revisão ortográfica: Pablo Aires


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A vida preciosa e a lágrima dos aflitos

Sabe, às vezes supervalorizamos nossas vidas e nossos sonhos. A princípio isso parece até bom e justo, principalmente se for de acordo com os nossos esforços e por termos lutado tanto pra conquistar aquilo que queremos. Mas por outro lado penso e sinto hoje que isso em parte, parece no fundo, um pouco de egoísmo e vaidade. Mas podemos nos justificar bem para dizer que não é.

Quando comecei a me envolver mais com missões, pude perceber uma triste realidade da igreja e das nações. Pude perceber uma fraqueza nossa (igreja) e falta de coragem. Na mesma proporção, pude conhecer um pouco da necessidade de muitos ao redor do mundo (e não conheço tanto).

Por várias vezes já parei para pensar em minha vida, levando em consideração estudos, profissão, carreira e tudo que eu poderia conquistar. Isso nos trás as vezes satisfação. Não somente a nós, mas também à nossa família. E particularmente, tenho muitos sonhos e projetos que seriam brilhantes, se executados!

Hoje sei e creio que a qualquer momento minha vida pode ser tomada, da mesma forma que a sua, da mesma forma como vemos todos os dias nos jornais vidas indo embora. Sonhos e planos que se resumem a NADA!

E o que eu não quero é viver sem poder dar minha vida por outros, o que ainda faço tão pouco. Jamais quero ter a sensação de tempo perdido aqui na terra. Não quero chegar a certa idade e pensar: “eu poderia ter feito mais”. Não quero ir embora sem cumprir da melhor forma o que Deus me disse para fazer: amar a Deus sobre todas as coisas e ao meu próximo como a mim mesmo.

E por falar no meu próximo, em média 70% dos asiáticos nunca ouviram falar de Jesus Cristo, metade da população mundial vive com menos de R$ 4,00 por dia. 30 Mil pessoas morrem de fome todos os dias. Há em média 13.000.00 de órfãos no mundo. A prostituição, o abandono, as drogas, doença, a morte alcança essas pessoas diariamente. Estes também são meus próximos. Mas pra fazer isso, as vezes custa a nossa própria vida, os nossos próprios sonhos.

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.” Atos 20:24

Há muito trabalho, muito. E como disse William Wilberforce: “Que não seja dito que fiquei em silêncio quando precisaram de mim”

Devemos aprender mais sobre o amor e misericórdia, e nos importarmos mais em levar alegria aos povos: Jesus Cristo - Quanto será que vale levar a esperança àquele que nunca a conheceu? Levar paz ao aflito, libertar os oprimidos, aliviar as dores dos que sofrem, dar pão ao faminto, amar ao próximo... Como a Bíblia nos ensina. Quanto vale? Vale as vezes abandonar muitos dos nossos sonhos para poder fazer aquilo que a Bíblia nos ensina a fazer.

Penso que quanto mais valorizamos nossa vida, mais longe estamos de cumprir o propósito de Deus para nossa vida aqui na terra. E assim também Jesus Cristo nos deixou um ensinamento:
 “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” Mateus 16:24-26

Infelizmente a prioridade da igreja não parece ser essa. Vemos tantas vezes brigas teológicas, divisões, discussões que não levam a lugar algum, investimentos altos em templos de forma desnecessária, enquanto o mundo necessita do amor que dizemos ter, da misericórdia, da justiça, da igreja. Centenas de missionários são perseguidos por testificarem desse amor, e se nós não somos, vamos nos unir neste sofrimento e orar por estas vidas.

...Homens dos quais o mundo não era digno!

Willy Menezes
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