sábado, 7 de outubro de 2017

“É assim que Deus disse?” A serpente no século XXI.


“É assim que Deus disse?” a serpente no século XXI.

Com certeza você conhece a frase em Gênesis 3.1, quando a serpente no diálogo com Eva questiona: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?”, esse foi parte do diálogo que precedeu a queda da humanidade.

O homem já havia recebido a ordem clara de Deus: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn 2.16-17).

Quero compartilhar 3 cuidados para que possamos nos atentar, a partir da palavra de Deus, com os ataques e argumentos no século XXI, para que não nos afastemos de Deus e da sua verdade.

1º cuidado.
A primeira ação da serpente foi lançar dúvida sobre a palavra que Deus havia dito. Deste modo, instigou dúvida no coração de Eva em relação ao que ela ouviu do Senhor: é assim que Deus disse?. Adão e Eva eram conhecedores da verdade, mas isso não foi o suficiente para não serem enganados. Satanás minou a dúvida nos corações deles. E não é assim nos dias atuais?

Ser conhecedor da verdade nem sempre é o suficiente para que não caiamos nas armadilhas do mundo sem Deus. Precisamos ter convicção de tal verdade e não darmos ouvidos ao que vem de encontro contrário à palavra de Deus. Por isso, cuidado com vãs filosofias, discussões e ideias que são contrários à verdade de Deus. Preserve seu coração sempre naquilo que é verdade de Deus e persevere sempre nisso.

Os esforços que o mundo empenha em colocar em cheque a palavra de Deus é violento e diário. Podemos notar isso por meio da televisão, internet, e outras mídias. Isso infelizmente tem alcançado as escolas e universidades, que se tornaram ambientes de uma luta ainda maior para que a verdade de Deus seja colocada de lado. O mais triste é ver que muitos são levados e vencidos pelo esforços desse mundo.

Não se engane achando que essa é uma advertência para os que não conhecem a Deus. Esse texto foi escrito para alertar os que são parte da família da fé, aqueles que, assim como Adão e Eva, tinham plena consciência do que Deus ordenou.

2º cuidado
O método de satanás tem sido o mesmo no século XXI: colocar dúvida no coração do homem diante da verdade que Deus ordenou. Porém, seus esforços não acabam por aí pois, além de levantar a dúvida, em seguida ele substitui o que Deus disse pela sua própria palavra, que é contrária à verdade divina: “É certo que não morrereis.” (Gn 3.4) e depois argumenta em cima da sua falsa afirmação: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.”

A semelhança com os dias que vivemos é imensa. Não somente colocam em cheque a verdade que Deus diz, como também, em seguida, propõe uma mentira no lugar da verdade. É comum vermos em nosso tempo grupos que advogam causas como  ideologia de gênero, feminismo e movimentos esquerdistas se valendo da bíblia  para afirmar algo contrário ao que Deus disse. O mais lamentável é ver alguns do meio da igreja se tornando adeptos de tais movimentos, pois deram ouvidos e trocaram a verdade de Deus pelas mentiras de satanás.

Não somente isso, em muitas igrejas se faz o mesmo quando certos “pregadores” abrem a boca para pregar sobre si mesmos, ensinando doutrinas de homens, advogando uma causa própria, desejando construir impérios para si, defendendo suas ideologias. Estes, há muito tempo deixaram de pregar a verdade de Deus.

3º cuidado
Apesar dos ataques do mundo sem Deus serem externos, nós certamente cedemos por causa da nossa fraqueza interna. Os nossos apetites naturais são traiçoeiros e podem nos levar a tomar decisões deliberadamente contrárias à verdade divina.

Embora a natureza de Adão e Eva não ter sido contaminada até a queda, os apetites naturais eram evidentes. Contudo, naquele momento, a mulher sucumbiu à tentação de satanás, entregando-se aos desejos pecaminosos da natureza no momento que não deu crédito ao que Deus disse. Foi quando ela viu que a “árvore era boa para se comer (desejo da carne), agradável aos olhos (desejo dos olhos) e árvore desejável para dar entendimento (soberba da vida)” (Gn 3.6). Notamos essa advertência em 1 João 2.16.

É isso o que acontece quando não damos ouvidos à verdade divina e passamos a ouvir o que o mundo sem Deus diz, a saber, satanás. Nessa questão não há imparcialidade pois só há 2 lados, a mentira ou a verdade. É impossível um meio termo. Ou você caminha firmado naquilo que Deus disse, ou você caminha firmado no que satanás disse.

Logicamente há uma consequência natural para qualquer uma das decisões: ou você se aproxima de Deus ou você se aproxima do mundo. É como afirma Tiago 4.4: Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”

Finalizando
Meus irmãos, que Deus nos ajude a caminhar na sua verdade. Que a nossa mente seja livre dos embaraços desse mundo e nos firme cada vez mais naquilo que o Senhor já nos disse. Para isso, precisamos nos dedicar mais e mais à leitura da sua palavra e à oração.  

Devemos cuidar para que, em nossos dias, não sejamos propagadores dos enganos de satanás, trocando a verdade de Deus pela mentira da serpente. Que sejamos trabalhados por Deus em humildade e sujeitando cada vez mais nossos apetites naturais à ordem de Deus. Se ele disse: não coma, não comeremos! Ainda que tenhamos vontade. Não vivemos para desfrutar das nossas vontades, mas para fazer a vontade de Deus. Isso significa nos sujeitar à Deus.

Que Deus nos livre de viver tudo que queremos. Que Deus nos livre de dar crédito à outra verdade, que não seja a dele. E que nossa maneira de pensar seja completamente moldada pela verdade divina e não pelo que achamos bonito e faz parte desse mundo.

Por fim, se você tem caído algumas vezes nessa armadilha da serpente no presente século, como muitas vezes me vejo ameaçado, temos uma grande esperança, a saber, Jesus Cristo. Ele é aquele que não deu crédito às mentiras de satanás e permaneceu firme nas verdades de Deus (Mt 4.1-11). E mais do que isso, foi Cristo quem morreu para poder nos salvar da condenação do pecado. É Cristo quem nos reconcilia com Deus e nos dá vida e na bíblia podemos encontrar seus conselhos!

Willy Menezes

quinta-feira, 23 de março de 2017

"Quem sou eu?" por Dietrich Bonhoeffer

Este poema foi escrito por Dietrich Bonhoeffer na prisão militar de Berlim-Tegel na correspondência em julho de 1944, destinada ao seu amigo Eberhard Bethge. Bonhoffer foi detido em março de 1943, e enforcado 9 de abril de 1945. E em 7 de maio de 1945 a guerra chegou ao fim.

Quem Sou Eu?

Quem sou eu? Seguidamente me dizem
que saio da minha cela
tão sereno, alegre e firme
qual dono de um castelo.

Quem sou eu? Seguidamente me dizem
que da maneira como falo
aos guardas, tão livremente,
como amigo e com clareza
parece que esteja mandando.

Quem sou eu? Também me dizem
que suporto os dias do infortúnio
impassível, sorridente e com orgulho
como alguém que se acostumou a vencer.

Sou mesmo o que os outros dizem de mim?
Ou apenas sou o que sei de mim mesmo?
Inquieto, saudoso, doente,
como um passarinho na gaiola,
sempre lutando por ar, como se me sufocassem,
faminto de cores, de flores, às vezes de pássaros.
Sedento de palavras boas, de proximidade humana,
tremendo de ira a respeito da arbitrariedade
e ofensa mesquinha,
nervoso na espera de grandes coisas,
em angústia impotente pela sorte de amigos distantes,
cansado e vazio até para orar, para pensar, para produzir,
desanimado e pronto para me despedir de tudo?

Quem sou eu? Este ou aquele?
Sou hoje este e amanhã um outro?
Sou porventura tudo ao mesmo tempo?
Perante as pessoas um hipócrita?
E um covarde, miserável diante de mim mesmo?
Ou será que aquilo que ainda em mim perdura,
seja como um exército em derradeira fuga,
à vista da vitória já ganha?

Quem sou eu?
A própria pergunta nesta solidão
de mim parece pretender zombar.
Quem quer que sempre eu seja,
tu me conheces, ó meu Deus,
sou teu.


Manuscrito do poema "Quem sou eu?"

Bonhoeffer escreveu vários livros. Dentre eles, alguns em português:
  • Discipulado
  • Vida em Comunhão
  • Resistência e Submissão
Dietrich Bonhoeffer. Resistência e submissão: cartas e anotações escritas na prisão. São Leopoldo: Sinodal, 2003, p.468-469.
Imagem: http://lendobonhoeffer.blogspot.com.br/2016/05/quem-sou-eu.html

domingo, 19 de março de 2017

Uma breve história da Igreja Moraviana

Por quase cinco séculos a Igreja Moraviana proclamou o evangelho em todas as partes do mundo. Sua influência excedeu numericamente por ter cooperado com cristãos de todos os continentes e ter sido uma parte visível do Corpo de Cristo, a Igreja.

Orgulhosa de sua herança e firme em sua fé, a Igreja Moraviana ministra às necessidades das pessoas onde quer que eles estejam. O nome Moraviano identifica o fato de que a história da igreja tem sua origem na antiga Boêmia e Morávia que atualmente é a Republica Checa. Em meados do século IX esses países se converteram ao cristianismo principalmente através da influência de dois missionários gregos ortodoxos, Cyril e Methodius. Eles traduziram a bíblia para o idioma comum e introduziram ao ritual da igreja nacional. Nos séculos seguintes, Boêmia e Morávia gradualmente caíram sob a jurisdição eclesiástica de Roma, mas alguns dos povos checos protestaram.


O principal dos reformadores Checos, John Hus (1369-1415), foi um professor de filosofia e reitor da Universidade de Praga. A Capela de Belém em Praga, onde Hus pregava, se tornou um lugar de reunião para os reformadores Checos. Ganhando apoio dos estudantes e das pessoas comuns, ele liderou um movimento protestando contra muitas práticas do clero e hierarquia Católica Romana. Hus foi acusado de heresia, sofreu um longo julgamento no Conselho de Constança, e foi queimado na fogueira em 6 de julho de 1415.

Organizado em 1457

O espírito da reforma não morreu com Hus. A Igreja Moraviana ou Unitas Fratrum (Irmãos Unidos), como tem sido conhecido oficialmente desde 1457, surgiu como seguidores de Hus, reunidos na aldeia de Kunvald, cerca de 160 quilômetros a leste de Praga, na Boêmia oriental, e organizaram a igreja. Isso foi 60 anos antes de Martinho Lutero começar a reforma e 100 anos antes do estabelecimento da Igreja Anglicana.

De acordo com Gregory, o Patriarca, considerado o fundador do Unitas Fratrum, o que fez um cristão não era a doutrina ou o que ele ou ela acreditava, mas que uma pessoa viveu de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo. Ele descreveu esses primeiros moravianos como “pessoas que decidiram de uma vez por todas, serem guiados somente pelo evangelho e exemplos do nosso Senhor Jesus Cristo e seus santos apóstolos em generosidade, humildade, paciência, e amor com os nossos inimigos.” (Rican, História da Unidade)

Até 1467 a Igreja Moraviana, estabeleceu seu próprio ministério, e nos anos seguintes, três ordens de ministério foram definidos: diáconos, presbiterianos e bispos.

Crescimento, Perseguição e Exílio

Até 1517 a Unidade de Irmãos numerava pelo menos 200,000 com mais de 400 paróquias. Usando um hinário e catecismo próprio, a igreja promoveu as Escrituras através de duas prensas de impressão e providenciou paras as pessoas de Boêmia e Morávia com a bíblia na seu próprio idioma.

Uma amarga perseguição, que estourou em 1547, levou à expansão da igreja dos irmãos para a Polônia onde cresceu rapidamente. Até 1557 havia três províncias da igreja: Boêmia, Morávia e Polônia. A Guerra de trinta anos (1618-1648) trouxe mais perseguição à Igreja dos Irmãos, e os protestantes da Boêmia foram severamente derrotados na batalha das montanhas brancas em 1620.

O líder principal das Unitas Fratrum nesses anos tempestuosos foi o Bispo John Amos Comenius (1592-1670). Ele se tornou mundialmente conhecido por suas visões progressistas de educação. Comenius viveu a maior parte de sua vida em exílio na Inglaterra e na Holanda onde morreu. Sua oração foi que algum dia as “sementes escondidas” da sua amada Unitas Fratrum mais uma vez floresça para uma nova vida.

Renovado em 1700

O século XVIII viu o renovo da Igreja Moraviana através do patrocínio do Conde Nicholas Zinzendorf – jovem Ludwig Von Zinzendorf, um nobre pietista na Saxônia. Algumas famílias moravianas fugindo da perseguição na Boêmia e Morávia encontraram refúgio na propriedade de Zinzerdorf em 1722 e construíram a comunidade de Herrnhut. A nova comunidade se tornou um refúgio para muitos outros refugiados moravianos.

Conde Zinzerdorf os encorajou a manter a disciplina da Unitas Fratrum, e ele deu à eles a visão de levar o evangelho para os cantos mais distantes do mundo. Em 13 de agosto de 1727, marcou a culminação de uma grande renovação espiritual para a Igreja Moraviana em Herrnhut, e em 1732 os primeiros missionários foram enviados para as Índias Ocidentais.

Moravianos na América

Os primeiros moravianos chegarem na América durante o período colonial. Em 1735 eles foram parte do Instituição Filantrópica de Oglethorpe em Geórgia. A tentativa de estabelecer uma comunidade em Savana não foi bem sucedida, mas eles fizeram um impacto profundo na vida do jovem John Wesley que tinha ido à Geórgia durante uma crise espiritual pessoal. Wesley ficou impressionado que os moravianos se mantinham calmos durante uma tempestade que estava assustando os marinheiros mais experientes. Ele ficou espantado com as pessoas que disseram não temer a morte, e voltando a Londres ele adorou com os moravianos na Capela Fetter Lane. Lá seu “coração foi estranhamente aquecido”.

Após o fracasso da Missão na Geórgia, os moravianos foram capazes de estabelecer uma presença permanente na Pensilvânia em 1741, na propriedade de George Whitefield. Os colonos moravianos compraram 500 hectares para estabelecerem o assentamento de Bethlehem em 1741. Logo, eles compraram os 5,000 hectares de Barony of Nazareth do Gerente de Whitefield, e as duas comunidades de Bethlehem e Nazareth se tornaram mais próximas vinculando sua agricultura e economia industrial.

Outro assentamento de congregações foi estabelecido na Pensilvânia, Nova Jersey e Mary Land. Eles construíram as comunidades de Bethlehem, Nazareth, Lilitz e Hope. Eles também estabeleceram as congregações na Filadélfia e no Staten Island em Nova York. Tudo foi considerado centros de fronteiras para a difusão do evangelho, particularmente na missão aos Nativos Americanos. Bethlehem foi o centro das atividades moravianas na América Colonial.

O Bispo Augustus Spangerberg conduziu uma parte para examinar uma área de 100.000 hectares de terra na Carolina do Norte, que veio a ser conhecida com Wachau depois de uma propriedade austríaca do Conde Zinzerdorf. O nome, mais tarde anglicizado para Wachovia, se tornou o centro de crescimento para a igreja da região. Bethabara, Bethania e Salem (agora Winston-Salem) foi o primeiro assentamento moraviano na Carolina do Norte.

Em 1857 as duas províncias americanas, Norte e Sul, se tornaram amplamente independente e expandiram. Bethlehem em Pensilvânia e Winston-Salem na Carolina do Norte se tornaram o quartéis generais das duas províncias (Norte e Sul).

A Província Sulista cresceu principalmente no Forsyth County, mas com o passar do tempo estabeleceram congregações em Charlott, Greensboro, Wilmington, Raleigh e Stone Mountain, Geórgia. Igrejas Moravianas na Flórida estão crescendo com a influência dos imigrantes da bacia do Caribe.

A Província do Norte expandiu com a influência dos imigrantes da Alemanha e Escandinávia para o centro-oeste no final do século XIX. Agora alcança ambas as costas do norte como Edmonton, Canada. Green Bay, Wisconsin, foi fundado por moravianos. Essa ampla extensão geográfica fez com que a província do norte fosse dividida em distritos orientais, ocidentais e canadenses.

Após a II Guerra Mundial, fortes impulsionadores para a extensão da igreja levaram a província do norte ao Sul da Califórnia (onde apenas uma missão indígena existia desde 1890) bem como alguns locais do leste, centro-oeste e canadense. A Província do Sul acrescentou numerosas igrejas na área de Winston-Salem, ao longo do Norte de Carolina e estendendo seu alcance para Flórida e Geórgia. Na Carolina do Norte, a Igreja Moraviana tem congregações em 16 estados, o Distrito da Columbia, e em duas Províncias do Canada. 

Uma Igreja Cristã Mundial

Sempre com espírito ecumênico, os moravianos estavam entre os primeiros membros do conselho nacional e mundial de igrejas. A Igreja estabeleceu um número de escolas na América, a mais importante dessas foi Salem Academy and College, Moravian College, Theological Seminary, e escolas preparatórias em Lilitz e Bethlehem. Em 1957 a Igreja mundial moraviana foi reorganizada em mais de uma dúzia de províncias semi-autônomas que continuam sendo parte de uma única igreja global. Um Sínodo de Unidade é realizado a cada sete anos para decidir assuntos que afetam toda a igreja moraviana.

Atualmente existem mais de um milhão de membros da Igreja Moraviana no mundo. A maioria deles vivem na Africa Oriental. Outra maioria de centros moravianos estão na bacia do Caribe (U.S. Virgin Islands, Antigua, Jamaica, Tobago, Suriman, Guyana, St. Kitts, e a Costa Miskito de Honduras e Nicaragua), Africa do Sul, Winston-Salem, e Bethlehem, Pa. Há agora 19 províncias da Unidade.
 
Embora os moravianos desempenharam um papel importante na história da colonização americana, a igreja no Norte da América conta com apenas 60,000 (incluindo Canada, Alasca, Labrador). Uma das razões da diferença na membresia entre os Estados Unidos e o resto do mundo é que os moravianos viram seu chamado distinto como trazer as boas novas do amor infinito de Deus aos mais pobres e mais desprezíveis do mundo.

Tradução: Tatiane Menezes
Revisão: Willy Menezes
Fonte: Fonte: http://www.moravian.org/the-moravian-church/history/

segunda-feira, 6 de março de 2017

O que é o fruto da vida do crente?


Quando Jesus falou sobre o fruto [ou frutos] que seus seguidores deveriam ter, a que tipo de resultado ele estava se referindo? É basicamente a resposta desta pergunta que eu gostaria de compartilhar neste breve texto. Primeiramente quero tratar sobre o que não são estes frutos.

Geralmente cometemos a falha de observar os frutos por uma perspectiva errada e não poucas vezes confundimos os “critérios de avaliação”. Somos mais tendenciosos a nos impressionar com grandes sinais, carismas, dons e expressões que saltam aos nossos olhos. Queremos ver as coisas acontecendo e sentir o arrepio na pele. Porém, se tratando dos frutos que Jesus disse, esses não são os primeiros indicadores, tampouco o que os determina.

Os frutos que Jesus espera de nós não são, primeiramente, expressão de autoridade, poder, milagre ou algum outro carisma. Pois o próprio Jesus disse, referindo-se a esse contexto: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” (Mateus 7:22.23) ou seja, é possível fazer tudo isso e não ser discípulo de Cristo.

Dito isto, vamos pensar sobre o que seria então os frutos. Quando lemos o sermão do monte, Jesus estava ensinando sobre qualidades distintivas de um discípulo, ou seja, caráter, tais como humildade, mansidão, justiça, misericórdia e outros. Em outra ocasião ele diz: “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. ” (João 15:8) e para Jesus, o “ser discípulo” estava relacionado a “negar a si mesmo” pois "...qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo." (Lucas 14:27) e isso indica viver a vida de Cristo, por isso, o fruto da vida do crente não é medido por ações extraordinárias ou seus feitos, mas por seu caráter ser o mais próximo do de Cristo. Neste sentido fica muito claro quando lemos Gálatas 5.22-23 falando sobre caráter e não sobre carisma quando trata sobre o fruto do Espírito. Jesus estava falando sobre ter um caráter transformado e não sobre grandes demonstrações de poder.

Voltando à Mateus 7, após Jesus dizer “pelos seus frutos os conhecereis. ” (v.20) ele diz quem é o tipo de pessoa que produz bons frutos: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mateus 7:24) e aqueles a quem Jesus disse: “Nunca vos conheci” são os insensatos: “E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia” (Mateus 7:26) e estes não produzem bons frutos.

Portanto, busquemos todos os dias ter um caráter semelhante ao de Cristo e não expressão de poder algum. Que sejamos mais parecidos com o homem prudente que ouve a palavra de Deus e as pratica. Certamente esta é uma obra que somente Cristo pode operar em nossas vidas, por isso, devemos clamar pela transformação graciosa todos os dias em nossas vidas. Sugestão de leitura: Mateus 7.15-29; João 15.16-20 e Gálatas 5.22-23.

Em Cristo,
Willy Menezes


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

“Os teus olhos me viram a substância ainda informe...” Salmo 139.16


“Os teus olhos me viram a substância ainda informe...” Salmo 139.16

Nada é encoberto de Deus na formação de qualquer pessoa. Deus é quem forma o íntimo do ser e dá origem à vida. E Ele mesmo é testemunha dessa assombrosa e maravilhosa formação, pois como diz o salmista “os teus olhos me viram a substância ainda informe”, o mesmo que “embrião”. Quando me pus a pensar nisso, meu corpo tremeu literalmente por ver quão maravilhoso Deus é.

Ele mesmo é quem considera a importância da vida mesmo sendo ainda uma substância não formada, mesmo sendo ainda um embrião. Por isso é que não se trata de um amontoado de células. Se trata da grandeza de Deus sendo revelada por meio da formação do homem, são as admiráveis obras do Senhor; e a minha alma o sabem muito bem. Quem sou eu para dizer o contrário? Me colocarei contra tamanho testemunho de Deus? Eu diria, quem é o STF para dizer o contrário?

"Por que eu deveria tratar um embrião - ele ainda não é nem um feto -, como um ser humano vivo"*, disse uma jornalista “cristã”. É simples, porque Deus já considera com tamanha importância e amor, porque são obras maravilhosas e admiráveis das mãos do Senhor. Porque o homem já é portador da imagem divina no ventre da sua mãe, e por isso é um ser distinto de toda criação. Nada mais!

Sugiro a você a leitura e meditação do Salmo 139.

Que Deus abençoe,
Willy Menezes






quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Selfie, identidade e desejos. Uma breve reflexão sobre eu e você!

É triste notarmos que muitas intenções nossas são, na verdade, para promover aquilo que não é, a fim de saciar o que os outros desejam e aplaudem. Nos esforçamos para apresentar aos demais aquilo que eles mais desejam. Não somente isso, queremos também saciar a nossa necessidade de sermos notados pelos outros e não poucas vezes nos apresentamos à plateia como alguém que não somos e sim a imagem que construímos. Tomamos emprestado os desejos dos outros sem ao menos nos questionarmos a respeito e se há valor nisso. O desejo do nosso coração é tão corrompido que mal podemos sondar a nós mesmos. Diante disso, quero compartilhar algumas áreas de atenção sobre nossa vida que eu e você precisamos, em certa medida, tomar cuidado.

Identidade emprestada
Quem seria você se [você] não tivesse ouvido de outros o que pensam sobre você? Se não tivessem dado opinião alguma sobre quem você é? Algumas vezes acreditamos mais no os outros dizem a nosso respeito do que aquilo que realmente acreditamos ser em nossa essência. Cremos, por diversas vezes, que somos aquilo que a sociedade vê e diz quem somos, mesmo diante dos seus interesses políticos, sociológicos ou econômicos. E facilmente nos tornamos escravos disso. Perdemos a nossa identidade e tomamos emprestada a identidade que a sociedade nos deu.
            Em última análise, o que a Bíblia diz sobre nós é aquilo que somos, e isso é o que deve ser determinante. Mas é preciso conhece-la. O nosso histórico de vida, a sociedade, educação, cultura e tudo que vamos apreendendo durante a nossa vida faz parte da construção da nossa identidade, mas não é determinante sobre quem nós somos. Somente aquele que nos constituiu (que nos deu vida) tem autoridade e capacidade de dizer quem somos e para que fomos criados.

Imagem emprestada
            Sabe aquele momento que nos esforçamos para mostrar aos outros aquilo que não somos ou não estamos vivendo? Estamos, na verdade, desejando ser o ideal de pessoa que todos querem ver e que admirar. Queremos apresentar uma boa imagem para que todos possam curtir. São aqueles momentos que gastamos mais tempo preparando o cenário para a foto e pensando em quantas curtidas receberemos do que vivendo o que a vida nos permite viver. Organizamos o ambiente para mostrar uma imagem que não é real. Mas por trás de tudo isso? Como anda o coração? Muitas vezes tédio, indecisão, falta de identidade e infelicidade são o que sobram. Não estou falando de fotos profissionais, comerciais ou coisas do tipo. E sim em questões relacionadas ao dia-a-dia.
            O mundo hoje (em especial na internet), em grande medida, é feito por cenários montados e ambientes manipulados. De um lado alguém que deseja ser o ideal para os outros e suprir as expectativas de terceiros se saciando nisso. E de outro lado pessoas que fingem e insistem em acreditar que a vida é como se vê nas fotos. Mas que no fundo, no fundo, sabem que a realidade é diferente, mas não querem se render a ela. Preferem continuar em um ‘mundo ideal’, repleto de ilusões.
            Todas as vezes que queremos mostrar algo que não é real estamos, na verdade, revelando uma grande necessidade do nosso coração. Curtidas e aplausos não resolverão o problema. Somente Cristo pode suprir e preencher este vazio, pois fomos feitos à imagem e semelhança dele. Aquilo que nos falta só pode ser encontrado nele.

Desejos emprestados
Este ponto é bem interessante e tem tudo a ver com nossa identidade. Você já parou para pensar que muitos dos nossos desejos são, na verdade, desejos que tomamos emprestados de outras pessoas? Muitas vezes não desejamos algo em si, genuinamente, mas passamos a desejar porque todos estão desejando, ou porque um grupo determinado de pessoas (do qual queremos fazer parte) desejam. Pense um pouco nisso!
Isso se relaciona no campo das personalidades também. Será que admiramos tais personalidades pelo fato de realmente conhece-las ou saber das suas ideias? Ou porque todos dizem algo bom sobre ela e estão aplaudindo-a por conta do seu status atual? Se ela não fosse tão aplaudida e notada pelos outros, apenas por você, será que ainda assim a admiração existiria?

Defesas das ideias emprestadas
Algo possível e claro de se notar é que, muito facilmente, as pessoas que defendem determinadas ideias, na verdade não conseguem justifica-las. Não são poucos os meros imitadores que encontramos principalmente na internet, que não consegue encontrar base alguma para argumentar aquilo que defende. No fim, acaba no campo da subjetividade, que não consegue ser explicada com o mínimo de lógica, razão ou justificativa possível.
O complicado é quando isso acontece com a nossa Fé. Será que estamos apenas reproduzindo dogmas, argumentos e ideias? Ou temos capacidade para fundamentar nossas concepções a partir do conhecimento bíblico?  Temos que ter cuidado para não tomarmos emprestadas as ideias de outros sem saber, no mínimo, por qual motivo estamos fazendo isso.

Nos deparamos constantemente com todas as situações acima e nem sempre vamos conseguir filtrá-las. Sempre tento analisar qual é minha verdadeira intenção em falar ou publicar algo, como por exemplo, este texto. As vezes sou enganado por mim mesmo, por argumentos que crio e estou convencido; na verdade são meus desejos corrompidos que me driblam e são executados. Diante de tudo isso vejo o quanto somos necessitados de Deus e não somos capazes de discernir a nós mesmos.

Não há problema algum em postar fotos, publicar textos, compartilhar suas ideias, desejar algo, admirar ou imitar alguém. Isso é natural do ser humano e faz parte. Porém, o exercício da reflexão nunca foi tão importante. Vamos desligar o “modo automático”, parar e pensar um pouco. É sempre bom analisarmos o motivo que nos leva a fazer ou desejar algo. Sem dúvida, muitos desejos são genuínos, mas alguns ficarão sem explicação ou virão acompanhados de uma justificativa esfarrapada. Desconfie destes!

Creio que um bom exercício é pensarmos um pouco sobre quem nós somos. Refletir um pouco sobre nossa identidade e sentido de vida. Quais nossos maiores sonhos, virtudes, dificuldades e limitações? No que, de fato, cremos, como e porque cremos? E afinal, onde e como queremos chegar? Qual foi a última vez que você parou para refletir sobre isso?

Diante disso, mais uma vez vemos que Deus é o único capaz de sondar plenamente nossos corações e intensões. Que Ele seja nosso parâmetro, nossa direção, nosso princípio e nosso alvo. E que Ele sonde todos os dias nossos corações e mentes. Sugiro a leitura do Salmo 139. E depois um pouco sobre a "Teoria Mimética".

Um abraço,

Willy Menezes

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Santificação: obra de Deus ou do homem?


"...à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso" 1 Coríntios 1.2

Percebemos no versículo acima dois aspectos importantes sobre "santidade". Paulo saúda a igreja em corinto e escreve aos ‘santificados em Cristo Jesus’ e que estes são chamados para 'ser santos'. O que isso quer dizer?

Ser ‘santificado em Cristo’, significa que nós somos separados em Cristo Jesus. Isso nos mostra uma condição em que nos encontramos. Se refere a uma posição (status) que desfrutamos graças à obra redentora de Jesus . Isso quer dizer que esta santificação não é alcançada por esforços humanos. Isso foi realizado uma única vez e sendo suficiente para sempre. Isso tem a ver com a salvação.

O segundo aspecto que Paulo destaca é que estes ‘santificados em Cristo Jesus’ são chamados para ser santos. E isso significa viver seguindo os passos de Cristo, e viver de maneira digna da vocação que fomos chamados (Ef 4.1). Esta santificação requere esforços diários, mas somente será possível se formos separados em Cristo Jesus. Deve ser evidência viva, na prática, de alguém que foi salvo em Cristo. Isso deve ser realizado constantemente, todos os dias, até que cheguemos na glória. Isso tem a ver com quem é salvo.

Para complementar gostaria de resumir três importantes aspectos da salvação:

1. Somos livres da culpa do pecado - tem a ver com nossa justificação em Cristo (passado)
2. Somos livres do domínio do pecado - tem a ver com nossa santificação diária (presente)
3. Seremos livres da presença do pecado - tem a ver com nossa glorificação em Cristo (futuro)

O desafio

"...todos, a uma voz, gritaram por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios!" Atos 19.34

Quando Paulo escreve à igreja de Éfeso, ele nos mostra como era o entendimento bíblico sobre santidade. E não há padrão melhor para entendermos como devemos viver a santidade nos dias de hoje. Éfeso era uma das maiores cidades do império romano, com uma grande população pagã. Ali viviam os adoradores da deusa Diana, que possuía um templo com 20 metros de altura, e era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.

O culto à própria deusa Diana era uma das grandes fontes de economia daquela cidade. A cultura, práticas, costumes e o dia a dia das pessoas que viviam ali eram contrários ao que a bíblia ensina. Além disso, muitas doutrinas contrárias à palavra de Deus eram propagadas naquela cidade.

Somos chamados por Deus para sermos santos e ao mesmo tempo vivermos em “Éfeso”, ou seja, em um local onde os princípios pagãos são praticados. É assim que Paulo chamou aqueles irmãos: "Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus" Efésios 1.1

Independentemente de vivermos em uma sociedade corrompida, isso nunca será desculpa para não sermos santos ou para não sermos fiéis. Os irmãos de Éfeso, apesar de todos os desafios, foram chamados para santidade e à fidelidade em Cristo Jesus e desafiados a viver assim. E também nós somos chamados assim.

Willy Menezes

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Verdades que a morte pode nos ensinar sobre a vida (parte 1)

Quais os momentos da vida que nos colocamos em uma reflexão profunda? Será que é quando conseguimos algo que tanto sonhamos; ou ganhamos um presente tão esperado? Quando paramos para pensar a fundo no sentido da vida? Arrisco dizer que, na maioria das vezes, são em momentos difíceis, de perda, sofrimento e provações.

Hoje [no dia em que o texto foi escrito] a minha noiva perdeu alguém que era especial para ela – uma amiga que morreu. Por isso, comecei a pensar um pouco no assunto. E depois de refletir, concluí que a morte tem muito a nos ensinar sobre a vida. Isso não vem a ser nenhuma apologia à morte, mas ao oposto dela: a vida. Deixe-me tentar lhe explicar nesse breve texto 3 importantes verdades que a morte pode nos ensinar sobre a vida.

Quando pensamos na possibilidade de perder alguém que amamos, logo somos tomados por um desejo enorme de abraça-la forte, viver os melhores momentos com ela e tentar demonstrar o quanto ela é especial para nós. Somos capazes até de, se possível, realizar todos os desejos dela. Tente fazer esse exercício e você vai entender melhor.

Neste momento, não levamos em conta as brigas, diferenças, dívidas, ou ofensas que a outra pessoa tenha cometido contra nós, pois consideramos a vida algo tão maior e temos estas outras por pequenas e insignificantes. Talvez você tenha chegado a esta conclusão também. Mas consideramos, na maioria das vezes, estas coisas, quando nos deparamos com a situação ou possibilidade da perda, quando na verdade, deveríamos considerá-las em toda oportunidade de vida. Por isso, esta é a primeira importante verdade que a morte pode nos ensinar sobre a vida: precisamos demonstrar mais amor a quem, de fato, amamos. Isso nos ajuda a valorizar as pessoas e aproveitar as oportunidades com quem amamos.

Não importa a riqueza que temos, a beleza, o quanto somos bons em algo, o que construímos ou estudamos. Em algum momento, e talvez o menos esperado, a morte chega para todos. Chegará, portanto, para o homem mais rico do mundo e também para o homem mais pobre – sem nenhuma distinção. Onde estão os poderosos desta terra? Onde estão os sábios e detentores dos maiores conhecimentos? Nenhum destes podem se eximir dela. Isso nos mostra a nossa humanidade e condição limitada – situação em que todos se encontram. Por isso, a segunda verdade que a morte pode nos ensinar sobre a vida é que no fim das contas, somos todos iguais. Isso nos ajuda a ser pessoas mais humildes e nos identificar mais uns com os outros.

Podemos passar a vida inteira sendo bons cidadãos, cuidando das coisas naturais da vida, como família, educação, profissão, relacionamentos, casa, bens e por aí vai. Porém, no momento em que perdemos alguém próximo de nós, a tristeza é imensa e nos toma as vezes de uma maneira desesperadora a ponto de que todas as coisas citadas acima parecem não fazer mais sentido algum. Isso nos mostra que a vida terrena não é, de fato, tudo. Esta é a terceira verdade que a morte pode nos ensinar sobre a vida.

E o que, na verdade, mais importa na vida? O que mais importa na vida é aquilo que está além do seu ciclo natural. Se a vida não é tudo, é apenas parte de um todo, não existe maior sentido em algo que esteja limitado pela morte ou pela vida terrena. E não há ninguém, além de Cristo, que tenha vencido a morte e dominado sobre ela. É somente nele também podemos vencê-la. Digo, portanto, que uma vida sem Cristo, é uma vida sem sentido algum.

A perda de alguém que amamos é uma dor profunda. É motivo de tamanha tristeza, embora faça parte do ciclo natural da vida. É uma dor que, em muitos casos, parece não ter fim. Mesmo sendo difícil superar, se temos Cristo, a vida não deixa de ter sentido. É por isso que desejo, no fundo do meu coração, que você tenha ele em sua vida, pois por mais duro que seja a perda de alguém, embora Cristo não prometa a ausência da dor, da lágrima e do sofrimento, ele promete a presença do Espírito Santo para nos consolar, e a certeza de uma vida eterna aos seus, onde não existirá mais dor e nem lágrima alguma. Cristo é nossa esperança!

"E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão." 1 Coríntios 15.54-58

Que Deus lhe abençoe!

Ps.: há muito o que se falar sobre o assunto e aspectos que eu mesmo gostaria de escrever, porém, preferi deixar apenas uma simples reflexão para não me estender muito. Talvez em algum outro momento faça uma segunda parte do texto.

Willy Menezes

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Jesus não queria pessoas boas...

Hoje pela manhã eu estava em um banco esperando minha vez para ser atendido; enquanto isso, lia um livro e refletia muito sobre algumas questões da vida que eram implicações do assunto tratado no livro.  Pensando então no último texto que eu havia escrito, e que falava sobre oração, continuei refletindo no assunto e chegando a algumas conclusões. Portanto, quero compartilhá-las com vocês.

Quais requisitos nós usamos pra declarar que alguém é uma boa pessoa? Normalmente pensamos em coisas como “não roubar, não matar, não mentir, não trair, ajudar o próximo” e coisas do tipo. Usamos esse mesmo princípio na educação dos nossos filhos, na escolha de alguém pra casar, em nossas amizades e por aí vai. Somos “bons” pra fazer listas para que as pessoas cumpram certas exigências, sendo adequadas aos requisitos e então estejam aprovadas em nossa seleção para poder dizer: é um bom filho, uma boa esposa, um bom amigo. Afinal, queremos pessoas boas para nós!

O apóstolo Paulo queria que as pessoas tivessem boas condutas e realizassem boas obras, sem dúvida. Mas Paulo não fez uma lista de exigências para que a Igreja cumprisse. Podemos pensar que talvez fosse mais fácil se existisse essa lista. Mas o que Paulo sabia era que a transformação no comportamento e na vida das pessoas deveria ser fruto da graça maravilhosa de Deus e não resultado de esforços humanos como quem levanta um troféu de conquista. Pois essas mudanças refletem mais que apenas comportamentos.

Muitas vezes (pra não dizer quase sempre) somos tendenciosos a focar exclusivamente no comportamento. Percebemos isso quando fazemos listas do que deve ou não deve fazer, quando nos esforçamos apenas para que nossos filhos não falem palavrão ou quando queremos que um amigo seja mais gentil com alguém; e então desejamos uma “mudança de comportamento”. 

Algumas vezes dizemos: “tudo que quero é que ele se comporte de tal forma”. Precisamos entender que essa mudança de comportamento pode até acontecer, mas se não for recheada do evangelho da graça de Deus podemos estar apenas treinando pessoas para serem hipócritas ou orgulhosas. Além disso, podemos estar lançando fardos nas pessoas, como se tudo isso fosse tão pesado ou talvez até impossível de se cumprir. (Logicamente existem mudanças que não implicam um caráter moral ou graça do evangelho, como a escolha entre a cor verde e azul, skate ou guitarra, torcer pra um time ou pra outro. Entendam que não estou falando disso).

É por isso que Paulo não fez listas do que pode e do que não pode. E quando ele fala sobre comportamento de um cristão é por que ele já falou da maravilhosa graça de Jesus Cristo – o verdadeiro motivo para a nossa mudança de comportamento. Percebemos que Paulo ao escrever suas cartas ora e encoraja os cristãos a andarem dignos da vocação que foram chamados, deseja que eles sejam cheios de conhecimento de Cristo, cresçam em sabedoria, entendimento, e em amor. E sim, todas essas coisas que ele ensina são capazes de mudar o comportamento das pessoas, pois tratam da graça de Cristo. Paulo não queria pessoas boas, mas cristãos piedosos, tementes a Deus, pois as mudanças no comportamento seriam resultados disso, da graça de Deus e não do esforço humano. Isso nos ajuda até levar em conta o tempo de conversão e desenvolvimento da pessoa para alcançar a maturidade.

Às vezes queremos formar líderes e focamos apenas nas “10 características que um verdadeiro líder deve ter”, isso é apenas um legalismo forjado por uma boa vontade e para um bom propósito se não vier precedido pelo evangelho. Temos que ensinar as pessoas a amarem a Cristo. Mas como? Ensinando-lhes sobre o evangelho, mas antes de tudo, vivendo o evangelho. 

Qualquer ateu pode ter bons comportamentos e agir de maneira heroica. Não devemos os desmerecer por isso. Mas pergunte por qual motivo eles se comportam assim? Provavelmente (ironia aqui) você não vai encontrar uma resposta do tipo: “Porque a graça de Deus me alcançou e o evangelho de Cristo me ensina a ser assim e amar as pessoas”. Vamos encontrar filhos de não crentes que são mais obedientes e educados do que filhos de crentes (logicamente há uma falha enorme na educação destes últimos que é responsabilidade dos pais e que daria um importante texto), mas o quanto da graça e do evangelho tem sido ensinado na educação dos nossos filhos? Ou queremos apenas filho comportados e ponto final? Quando na verdade devemos desejar filhos com o coração transformados que se comportem de maneira a responder de forma digna da vocação e gratos a Deus? (então vivam e ensinem isso aos seus filhos!).

Não é errado ter uma sociedade moralmente correta (apenas é impossível, mas tudo bem rs). Logicamente não é errado, mas para aqueles que desejam viver para glória de Deus, é completamente sem lógica e sem razão deixar o evangelho da graça fora da história, focar numa questão de comportamento (do que é certo e errado) e viver apenas um legalismo religioso semelhante aos fariseus. Devemos ter e ser filhos obedientes, sem dúvida, mas ter e ensinar princípios [em Deus] que nos levam a ter comportamentos obedientes à sua vontade buscando glorificar a Deus. 

É por isso que não queremos pessoas boas, mas queremos que elas sejam cheias do evangelho e da graça de Cristo, aí sim vamos andar como é “digno da vocação com que fomos chamados” (Ef 4.1). Ser “bom” em si mesmo fará apenas você parecer ser “bom” pelos seus esforços e assim rejeite Cristo. O jovem rico era “bom” aos olhos dele mesmo e “cumpria” a lista dos deveres e obrigações de um judeu. Mas ele talvez tenha esquecido que a “lista” dos 10 mandamentos não era meramente uma lista, implicava em amar a Deus acima de todas as coisas e por isso nunca deveria ter nada ocupando o lugar de Deus em seu coração. 

Jesus Cristo quando estava diante dos fariseus não os apoiou no que faziam, pois Cristo sabia muito bem que eles estavam focados apenas no comportamento, mas Cristo estava focado na transformação do coração. Jesus não queria pessoas boas, queria pessoas com corações transformados, pois estes lutariam por obedecer a Deus e viver pra Sua glória. Os fariseus eram “bons” em julgar pelo comportamento (é o que a lei faz e até nisso somos reprovados), por isso achavam que poderiam ser bons, mas não cuidavam de suas intenções e seus corações. E muitas vezes somos semelhantes a estes fariseus. 

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” Mateus 5:27-28

A lei nos mostra que somos incapazes e não somos bons, além disso, nos mostra que precisamos de um redentor, que é o próprio Cristo – o único que cumpriu todas as exigências da lista. Por isso somos amados por Deus e podemos ser salvos por sua graça. “Ele o ama por que você está no Filho que ele ama; sim, mas também porque ele escolheu derramar seu amor sobre você. Por quê? Eu não sei. Quando meus netos me perguntam por que eu os amo, eu não pego uma lista de todas as coisas que eles fazem que os tornam dignos do meu amor. Se eles me perguntam por que eu os amo, eu simplesmente digo: Porque você é você, e eu o amo” (Do livro: Pais Fracos, Deus Forte)

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Romanos 5:8

“Podemos pedir-lhe [ao Espírito Santo] para nos ajudar a sermos “detetives da graça” para nos tornarmos mais conscientes da forma como o Senhor está trabalhando na vida deles do que da forma como estão falhando” [Em relação aos filhos] no livro “Pais Fracos, Deus Forte” – Editora FIEL. Este é o livro que citei no início do texto. Recomendo!

Dê uma lida também em: Lucas 18.11-14 e Mateus 15.7-11

Que o Senhor nos ajude a termos corações transformados!

Ps.: Entenda o uso do verbo “querer” quando aplicado na frase “não quero pessoas boas” ou "Jesus não queria pessoas boas". Não significa rejeição, mas o desejo de “formar”, “preparar”, “nutrir” pessoas que tenham um coração transformado pelo evangelho. Não significa que não amo as pessoas que não têm um coração transformado pelo evangelho, pelo contrário, as amo, mas que meu desejo é que essas pessoas sejam transformadas por ele.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Uma oração quase esquecida pela Igreja.

Quando paramos para pensar em nossos momentos de oração, analisando o conteúdo das mesmas, podemos chegar a algumas conclusões breves que irei compartilhar nessa reflexão. E ao analisarmos as orações de Paulo, percebemos que existe uma oração que foi ‘quase esquecida’ pela Igreja, não pela falta de tal motivo ou da sua necessidade; o que nos leva a concluir que nós esquecemos, abrimos mão, ou colocamos outros motivos “mais importantes” como prioridade.

Não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamado, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder” Efésios 1.16-19

Quando olhamos pra esse tipo de oração que Paulo faz, percebemos que seus anseios são relacionados às “bênçãos espirituais”, para que a Igreja seja capacitada por Deus para exercer sua vocação e crescer cada vez mais no conhecimento de Cristo, em sabedoria, no entendimento espiritual e na sua vontade. As orações “primordiais” de Paulo parecem ser direcionadas para que a Igreja viva sua identidade, exercendo o amor uns para com os outros, frutificando em boa obra, e crescendo à semelhança de Cristo. Embora Paulo não ignorasse outras necessidades, elas não se tornavam o ‘conteúdo principal’ de suas orações. As orações de Paulo eram ‘saturadas’ do anseio para que a Igreja glorificasse a Deus, edificasse uns aos outros, e alcançassem aqueles que eram estrangeiros, como nós, a fazerem agora parte da família de Deus.

Paulo estava ciente de que “assim como [Deus] nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito (bondade, bom propósito) de sua vontade, para o louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”, agora Paulo deseja ardentemente que estes eleitos vivam de forma plena. Pois já fomos abençoados com “toda sorte de bênção espiritual”, somos agora feitos “herança”, além disso, “selados como o Santo Espírito” para vivermos para o louvor da sua glória. 

Qual a última vez que você orou neste sentido por seus irmãos, por sua igreja e por si mesmo? Diante de todas as dificuldades e necessidades, somos conduzidos a orar por bens materiais, curas, e soluções para certos problemas. Todos estes são motivos dignos, mas não podemos negligenciar essa oração que Paulo fez pala Igreja. Vamos nos lembrar de orar neste sentido e encorajar outros a fazerem o mesmo!

Confira outras orações de Paulo:

Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome de toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o cumprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” Efésios 3.14-19

E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção” Filipenses 1.9

Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus” Colossenses 1.9-10

E o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco” 1 Tessalonicense 3.12

Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé” 2 Tessalonicense 1.11

Ora, o Senhor conduza o vosso coração ao amor de Deus e à constância de Cristo” 2 Tessalonicense 3.5

Bênçãos,

Willy Menezes
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